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quarta-feira, 1 de abril de 2026

APROVEITANDO A CHUVA, PLANTANDO BATATA

As notícias desta semana (12.12.2024), apontam algumas mortes feridos e desalojados como consequência da chuva em algumas cidades de Angola, sendo Luanda, Bengo e Benguela algumas reportadas pelos media. Pois é, enquanto a chuva é “amaldiçoada” por alguns citadinos, sobretudo em áreas com drenagem deficiente, ela é aplaudida pelos camponeses e agricultores que dela dependem para fazer os campos florescerem. Hoje, trago como anotações o plantio de batateira. A batateira quer produz batata-doce. Para início de conversa, importa anotar que há diferentes tipos de batata-doce, diferindo pela coloração, sabor, etc.

Em Angola, as regiões que mais produzem batata-doce incluem as províncias de Benguela, Uíge, Malanje, Cuanza-Sul, Moxico e Lunda Sul. Em Benguela, por exemplo, a produção de batata-doce tem aumentado significativamente nos últimos anos, especialmente na área de Dombe Grande. Todavia, é possível ter batata-doce em quase todo o país, incluindo Luanda, tendo em conta a fácil adaptabilidade da herbácea.

As espécies de batata-doce mais produzidas no nosso país são a Ipomoea batatas (batata-doce comum) e a Ipomoea batatas var. purpurea (batata-doce violeta), existindo outras.

A espécie Ipomoea batatas tem tubérculos de cor amarela ou laranja e é a mais comum. É conhecida por seu sabor doce e textura cremosa.  A Ipomoea batatas var. Purpurea tem tubérculos de cor violeta ou roxa e é menos comum. É conhecida por seu sabor mais intenso e alto teor de antocianina, um antioxidante.

A batata-doce é uma importante fonte de nutrientes e possui várias utilidades para o homem e animais domésticos:

Ela é rica em carboidratos, vitaminas (especialmente vitamina A e C) e minerais (como potássio e magnésio), sendo utilizada em uma variedade de pratos, desde sopas e saladas, purês, bolos, pães e sobremesas e ainda em panificação e confeitaria, especialmente em dietas sem glúten. Pode ser fermentada para produzir etanol, utilizado como biocombustível. Possui propriedades medicinais, como a redução da pressão arterial e a melhoria da digestão e contribui significativamente para a economia agrícola.

As folhas são comestíveis e podem ser cozidas como espinafre. São ricas em vitaminas A, C e K, além de minerais como ferro e cálcio. Servem ainda para forragem para Animais, sendo utilizadas como alimento nutritivo para gado bovino, cabras, porcos e outros animais. Possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, ajudando na saúde em geral, podendo ainda ser usadas como cobertura vegetal para melhorar a qualidade do solo, aumentando a matéria orgânica e a retenção de humidade.

A batata-doce é também usada na indústria alimentícia como espessante e em outros produtos como adesivos e cosméticos.

Quanto ao melhor método de plantar batateira, aqui estão algumas dicas essenciais:

A batata-doce prefere solos arenosos e bem drenados. Evite solos pesados e argilosos; Antes de plantar, prepare o solo arando e remova as ervas daninhas. Adicione matéria orgânica para melhorar a fertilidade; plante as mudas de batata-doce em sulcos ou montes, com espaçamento de cerca de 30 cm entre plantas e 1 metro entre linhas; mantenha o solo húmido, especialmente durante o período de crescimento inicial. Todavia, evite o encharcamento.

Controlar as pragas e doenças é crucial. Geralmente, a batata-doce geralmente está pronta para a colheita entre 4 e 6 meses após o plantio, dependendo da variedade.

Em terrenos declivados, que deixam escorrer a água da chuva, esse é bom período para o plantio. Em terrenos alagados ou baixos, o melhor é esperar que a chuva termine diminua ou cesse.

Publicado pelo JE&F a 13 de Dezembro de 2024

domingo, 15 de março de 2026

A REDENÇÃO DA PALMEIRINHA

Era tempo da pandemia de Covid-19. O meu estimado amigo Tino Cardona contactou-me para informar que já dispunha dos quatro pés de bananeiras — de mesa e de pão — que lhe havia solicitado. Pedi-lhe a localização por GPS, e a tecnologia, em seus avanços recentes, conduziu-me até à sua residência. Levava comigo uma jovem cajamangueira.

No quintal, deparei-me com uma palmeira e alguns rebentos minúsculos, com cerca de dez centímetros de altura. Como quem se entretém, apanhei um deles — quase com desdém — e plantei-o à entrada de um terreno no Zango IV (quando ainda se reconhecia como parte de Luanda).
O tempo foi passando, e a pequena planta erguia-se aos poucos. Meses depois, encontrei-a murcha, arrancada, exposta ao sol por obra de algum traquina qualquer. Triste, quase desolado, tomei-a de novo e replantei-a. Acrescentei-lhe calcário dolomítico, trazido de Malanje. A planta revigorou-se. Hoje, outros traquinas — ou talvez os mesmos de outrora — já se deleitam com os saborosos dendéns que ela oferece.

domingo, 8 de março de 2026

ENTRE SECA E INUNDAÇÕES

[Construindo memórias]

Por: Soberano Kanyanga 

Depois de 1978, baptizado ad initio como o Ano da Agricultura, mais um ano ficará na história pela "greve de São Pedro" e rasto de fome, lembrando ainda o poeta cabo-verdiano Jorge Barbosa que, em "há muitos anos houve um ano", eternizou a dor de um ciclo interminável de seca. Pois, 2026 junta-se, indubitavelmente, aos já cadastrados anos de seca severa, mas com um paradoxo cruel que só a natureza poderia pregar: enquanto o centro e o litoral de Angola clamam por água, o excesso noutras paragens sublinha a fragilidade de um país refém dos caprichos do clima. 

O ano de de 2026, ano que ficará gravado como aquele em que o céu, mais uma vez, se fechou sobre muitas terras de Angola. Em Luanda, no Icolo e Bengo, no Bengo e em boa parte do Cuanza-Sul e Cuanza-Norte, a chuva tornou-se apenas lembrança, coisa de outros tempos, de outros colheitas e alegrias, de outras esperanças. Os campos, outrora verdes e promissores, secaram sob o peso de um sol implacável e inclemente, desses que não perdoam e que transformam a vida em pó. 

As culturas de milho, mandioca, feijão batata, que sustentam famílias inteiras, murcharam antes de dar fruto e a terra rachada tornou-se metáfora da fome que se anuncia, da esperança que se desfaz em pó. 

A ausência de água não é apenas um fenómeno natural, não! É um golpe directo na economia doméstica e na dignidade das comunidades. 

O agricultor que vê o seu campo vazio sabe que o prato da família também se esvaziará e sobre isso não há discurso que explique, não há promessa que console. A seca traz consigo o espectro da migração forçada de homens e animais domésticos, da dependência de ajudas externas e da perda da autonomia alimentar, essa autonomia que tanto se precisa e que tão longe parece ainda estar. Os mercados já sentem o impacto. O preço do feijão e do milho disparou, tornando inacessível o básico para quem mais depende daquilo que a terra já não pode dar e os rostos, nos miseke e nas aldeias, contam a história que os números deixaram de registar.

Todavia, paradoxalmente, enquanto o centro e o litoral clamam por chuva, outras regiões vivem o excesso. Na Jamba, província da Huíla, as águas caem sem cessar, inundando campos e arrastando culturas. E o contraste é cruel. Onde falta água, reina a fome. Onde há em demasia, impera a destruição e, consequentemente, a fome. O país parece dividido entre dois extremos: a seca que mata lentamente e a enxurrada que arranca pela raiz o trabalho de meses. 

Este desequilíbrio revela a fragilidade da agricultura angolana, ainda tão dependente dos caprichos da natureza, com cerca de oitenta por cento do cultivo feito de sequeiro, à mercê de São Pedro e das suas "greves". O cenário mostra também a urgência de políticas de gestão hídrica, de irrigação e de protecção contra cheias, medidas que deveriam ter sido tomadas anteontem e não hoje, muitos menos amanhã. Porque a memória que se desenha de 2026 não pode ser apenas a lembrança de perdas, mas o ponto de partida para uma consciência colectiva. Sem água, não há pão; sem pão, não há vida. E é por isso que revisitamos o texto "Memórias do ano em que não choveu", que pode ser encontrado na secção opinião do Jornal de Angola ou nos blogues www.mesumajikuka.blogspot.com e AGRICULT'ARTE: MEMÓRIAS DO ANO EM QUE NÃO CHOVEU, para que não esqueçamos, para que a dor de hoje sirva de lição para os anos que hão-de vir.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

EXPERIÊNCIA COM SEMENTES DE CASMIROA

No dia 29 de Setembro de 2025, recebi do meu compadre Carlos Monteiro três sementes de casmiroa (Casimiroa edulis), fruta de origem meso-americana, considerada exótica e ainda rara em Luanda. A casmiroa, também conhecida como sapote branco, é nativa do México e da América Central, sendo apreciada pelo seu sabor doce e pelos benefícios que oferece à saúde humana, como propriedades antioxidantes, calmantes e digestivas.

Tendo em vista a sua possível adaptabilidade ao clima tropical de Luanda, decidimos, como já fizemos com outras espécies, tentar cultivá-la. À chegada, procedemos à remoção da casca branca e rígida que envolve cada semente, operação necessária para facilitar a germinação. Hoje, lançámos as sementes à terra, inicialmente em um vaso com substrato leve e húmido.
Caso tenhamos sucesso, esperamos que dentro de três a quatro semanas surjam os primeiros sinais de germinação. A partir daí, faremos o transplante para vasos maiores, com o objectivo de acompanhar o desenvolvimento das mudas até que estejam prontas para o solo definitivo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O INHAME

É um tubérculo cultivável pertencente a várias espécies da família das dioscoreáceas e das aráceas. A palavra "inhame" origina das línguas do oeste da África. A palavra inglesa "yam" vem do uolofe "nyam", que significa "sabor" ou "comer". Dados consultados no ciber-espaço indicam que o inhame é amplamente cultivado em África, América Latina, Ásia, Oceania e nas ilhas da Macaronésia. Os principais produtores incluem Nigéria, Gana, Camarões, Índia e Brasil.

O tubérculo adapta-se bem a climas tropicais e subtropicais, como o de Angola e Luanda em particular, preferindo solos bem drenados e ricos em matéria orgânica e temperaturas entre 20°C e 30°C.
O inhame é um alimento nutritivo, rico em vitaminas (especialmente vitamina C e do complexo B), minerais (potássio, ferro e cálcio) e fibras. Ajuda na digestão, controle dos níveis de colesterol, prevenção de doenças cardiovasculares e fortalecimento do sistema imunológico.

Ao cultivar inhame, é importante garantir que o solo esteja bem drenado e enriquecido com matéria orgânica, evitando plantar em áreas com excesso de água para prevenir a podridão das raízes. A preparar o inhame fresco para o consumo humano, descasque-o debaixo d'água para evitar desconforto causado pela seiva contendo oxalato de cálcio.
A espécie de inhame que mais se adapta ao solo e clima de Luanda é o Inhame Africano (Dioscorea cayenensis). Esta variedade é bem-adaptada a climas tropicais e subtropicais, como o de Luanda, e prefere solos bem drenados e ricos em matéria orgânica e conhecido por sua resistência a pragas e doenças, além de ser uma excelente fonte de carboidratos, fibras e vitaminas essenciais. A produtividade do inhame varia entre 10 a 15 toneladas por hectare, quando observadas as boas práticas agrícolas, podendo constituir-se em uma boa oportunidade de encaixe financeiro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

CASMIROA

 [vamos tentar]

A casmiroa (Casimiroa edulis), também conhecida como sapote branco, é uma fruta tropical pouco comum em Angola, mas com grande potencial agrícola e nutricional.
- Origem: América Central, especialmente México e Guatemala
- Nome homenageia: Casimiro Gómez, um líder indígena zapoteca
A casmiroa adapta-se bem a climas tropicais e subtropicais, com temperaturas entre 18 °C e 30 °C.
- Pode ser cultivada em solos bem drenados, ricos em matéria orgânica.
- Em Luanda, com irrigação adequada e protecção contra ventos fortes, pode desenvolver-se bem.
- Ainda é pouco explorada comercialmente em Angola, mas tem potencial para cultivo doméstico e agroecológico.
UTILIDADE
Alimentar: A polpa é doce e cremosa, ideal para consumo in natura, sumos, sobremesas e sorvetes.
Medicinal: Folhas e sementes têm propriedades sedativas e foram usadas tradicionalmente para tratar insónia e ansiedade (atenção: sementes podem ser tóxicas em grandes quantidades).
Ornamental: A árvore tem copa larga e folhas bonitas, sendo usada para sombra em jardins.
CARACTERÍSTICAS
Tipo de planta: perene
Altura: 5 a 15 metros
Fruto: redondo, verde-amarelado, polpa branca, sabor doce, suave, lembra banana e baunilha.
Floração: flores pequenas, esverdeadas.
Frutificação: 1 a 2 vezes por ano, dependendo do clima

BENEFÍCIOS PARA O HOMEM
Nutricionais: Rica em vitamina C, fibras, antioxidantes e minerais.
Digestivos: Auxilia na digestão e pode ter efeito laxante suave.
Ambientais: Contribui para a biodiversidade e pode ser integrada em sistemas agroflorestais.
Económicos: Potencial para diversificação agrícola e geração de renda em comunidades rurais.

domingo, 7 de dezembro de 2025

DO ENGANO À ESPERANÇA: O SAFUEIRO CHEGOU!

Durante anos, uma longaneira cresceu sob o nome errado, confundida com o safueiro — árvore de frutos escuros e polpa doce, nativa das florestas tropicais da África Ocidental. Ofertada por uma amiga militar, a longaneira floresceu e multiplicou-se em quintais de Viana, Zango 5 mil, Munenga e no Polo Industrial, como quem espalha raízes de afeto e persistência.

Mas o verdadeiro safueiro (Dialium guineense), também conhecido como tamarindo-preto ou pau-veludo, parecia esquivo. Até que, num gesto de amizade e cumplicidade, o jornalista Miguel Daniel transformou uma promessa deixada num comentário de Facebook em realidade: três exemplares em vasos, ainda a curar do estresse de um dia trancados na viatura, aguardam o momento de serem lançados à terra firme.

Originário da faixa tropical que vai do Senegal ao Congo, o safueiro é uma árvore de copa densa e madeira dura, usada na construção e na produção de carvão. Seus frutos, pequenos e arredondados, têm casca negra e polpa doce-acidulada, rica em antioxidantes, ferro, vitamina C e fibras. São consumidos ao natural ou em bebidas, e usados na medicina tradicional contra febres, diarreias e inflamações.

O tronco, de madeira pesada, é valorizado na carpintaria e como lenha de longa duração. A árvore também contribui para a fertilidade do solo, graças à sua simbiose com bactérias fixadoras de nitrogénio.

Mais do que uma planta, o safueiro é símbolo de reencontro com a terra, com a memória e com a promessa cumprida. Que floresça, cresça e frutifique — como a amizade que o trouxe.