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domingo, 26 de janeiro de 2025

O NDUNGU SENGESA

A expressão sengesa  (Kimbundu do Lubolu) refere-se, em português, a algo que pode criar divórcio ou separação. 

O ndungu (singular de jindungu) kahombo (ka=diminutivo e hombo=cabrito) é chamado, em algumas partes do Lubolu sengesa.

Perguntei em uma superfície comercial quanto custava um quilograma de sengesa e a resposta foi "perto de mil kwanzas".

_ Tudo isso?! _ Retorqui.

Fiquei a pensar nas sementes do kahombo que dispensamos, nos vasos cheios de plantas não comestíveis que muitos têm em suas casas e nos canteiros e terrenos cheios de nada.

_ Que tal passarmos a plantar kahombo (sengesa) em nossas casas para o gáudio de nossos olhos e bolsos?

Bem, o jindungu, também conhecido como piri-piri, é uma pimenta de formato oblongo e sabor muito picante, amplamente utilizada na culinária angolana para realçar o sabor de pratos típicos, como a mwamba e a caldeirada de peixe. Além de tempero, o jindungu possui benefícios à saúde.

A sua substância química, a capsaicina, activa receptores sensíveis na língua e na boca, liberando endorfinas e proporcionando uma sensação de bem-estar. Estudos também mostram sua acção antioxidante e antienvelhecimento. Quanto às condições para o seu cultivo, o jindungu prefere solos bem drenados e climas quentes. 

Diz a literatura consultada que "a pimenta é originária da América do Sul, mais precisamente das regiões que correspondem ao México, Guatemala e Honduras, tendo sido domesticada na região do México por volta de 2500 A.C. e, graças às viagens de Cristóvão Colombo, sementes de Capsicum annuum foram levadas para as colónias da Espanha e Portugal.

Há várias espécies de ndungu desde domesticadas a exemplo de "ndungu y'olakata" e selvagens. "Ndungu yi ñana" (ndungu de macacos) é uma espécie selvagem que abunda as florestas do Lubolu.

O nome científico da pimenta varia de acordo com a espécie. Por exemplo, a pimenta dedo de moça tem o nome científico Capsicum baccatum. Quanto aos tipos de solo, cada um influencia o cultivo de diferentes maneiras:

Solo arenoso: adequado para o plantio precoce, pois aquece rapidamente após o inverno. No entanto, é menos propenso à erosão e pode ser ácido, afectando o crescimento de algumas plantas.

Solo argiloso: retém bem a humidade e é ideal para plantas que gostam de humidade. É frequentemente alcalino, o que impede algumas plantas de obter todos os nutrientes necessários.

Solo húmico: rico em matéria orgânica, é fértil e adequado para várias culturas. É mais comum em regiões tropicais.

Solo calcário: possui alto teor de cálcio e é favorável para algumas plantas, como a videira.

Quanto ao clima, a pimenta prefere climas quentes e solos bem drenados. Embora Luanda, tenha clima tropical, é possível cultivá-la e ter resultados, sendo importante escolher o solo adequado e cuidar das condições de cultivo.

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Publicado pelo JE&F a 23 de Agosto de 2024

domingo, 12 de janeiro de 2025

A BANANA-PÃO

Também conhecida como banana-da-terra, é originária do sudeste asiático. Ela é uma excelente fonte de potássio, fibras e vitaminas. Os seus benefícios incluem a promoção da saúde cardíaca, regulação do sistema digestivo e fornecimento de energia devido aos seus carboidratos naturais. Além disso, contém nutrientes como vitamina C, vitamina B6 e manganês.

A banana-pão é geralmente adaptável a uma variedade de solos, incluindo aqueles encontrados em Luanda. Prefere solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. É cultivada em várias regiões tropicais e subtropicais ao redor do mundo.
A banana-pão é uma das maiores variedades de banana, com uma casca espessa e polpa firme, sendo uma escolha popular em muitas cozinhas, especialmente em países da América Latina, África e Ásia. A expansão do cultivo da banana-pão ocorreu devido à sua adaptabilidade a climas quentes e húmidos. Ela é consumida de diversas maneiras, desde cozida até frita, e é uma fonte significativa de carboidratos, potássio e outras vitaminas e minerais.
Certifique-se de proporcionar boa irrigação e um ambiente quente, pois a banana-pão prospera em climas tropicais. Antes de iniciar o cultivo, pode ser útil realizar uma análise do solo para garantir que ele atenda às necessidades específicas dessa planta
Temo-la em Viana, Luanda.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

O CUMBO |1|

"O cumbo é, segundo Moisés Malumbo, a menor unidade agrícola familiar entre os ovimbundu, algo também aplicável aos ambundu, cuja família etnolinguística pertenço.

Na escala ascendente, Malumbo coloca: 
a) cumbo (à volta de casa) onde se colhe a verdura imediata;

b) naka (perto, à meia distância de casa) onde se cultivam hortaliças, legumes e tubérculos. A naka é equivalente à zona baixa ou sob regadio.

c) épya (à distância razoável de casa) onde se cultivam bens de consumo permanente e excedentes para permuta e/ou venda.

A minha mulher tem um pequeno descampado anexo ao muro da casa, onde concentrou material de construção para vedação posterior. Vou fazer o meu cumbo e deleitar-me com o crescer das plantas sobrevivas. Já estou vacinado contra o vandalismo da vizinhança: chegam em hordas, arrancam as plantas pelo simples prazer de não deixar o vizinho ter plantas no canteiro ou atrás da casa. Não faz mal. O bem sempre vence!

Inspirado pela irmã Maria De Lurdes Bartolomeu, cuja estufa visitei este mês (Dezembro de 2021), e pela tia Judith Luacute que é apaixonada pelo verde (comestível), iniciei com duas bananeiras que gemiam asfixiadas dentro do quintal por falta de sol. Assim termina o meu 2021."

Três anos depois, chegados a 31 de Dezembro de 2024, confirmo termos comido vários cachos de banana de mesa e de banana-pão, ter alargado o cumbo, semeado milho, sorgo e quiabo, assim como plantado batateira, cana e várias frutícolas e hortícolas em crescimento e expansão, cuja relação permitiram-me alimentar a minha coluna, inicialmente "conversas milhonárias", no Jornal de Economia & Finanças.

A novidade, para 2025, é que o cumbo está a migrar do antigo descampado, agora vedado, para outro pequeno descampado atrás deste. Vamos continuar a contar estórias e partilhar conhecimento e agro-experiências.

Faço votos de que todos os possuidores de pequenos terrenos e quintais ganhem o gosto pelo plantio de árvores frutícolas e ervas comestíveis!

|1| pronuncia-se tchumbô.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

HÁ JÁ DOIS "NATAIS" QUE "CAI" BOI

_ Ó papá (minha mãe trata-me assim), vem ainda aqui! Quando o teu avô, o meu pai, morreu, caiu boi. Era Soba Grande do Kuteka. Quando o teu avô paterno, Ngana Muryangu, morreu, também caiu boi. Onde chegaste, é porque estamos na cidade, se estivéssemos no Kuteka, é mesmo para cair boi!


E a velha não disse nada mais. Levei o "recado/desafio" por algum tempo até que o mano Lauriano Tchoia me sugeriu a constituição de uma cooperativa de criação de bovinos. Sem fazer cálculos das vantagens e riscos dos económicos, aderi. Já tivemos menos do que temos actualmente. As quotas mensais estão a caminho do passado e há já dois "natais" que os dentes exercitam "carne com vinho de 14°. Caiu (mais um) boi!

sábado, 21 de dezembro de 2024

TAMAREIRA

Há uma lenda que diz que "quem planta tamareira não colhe tâmara". Isso não me preocupa. Na minha região acontece algo semelhante com as laranjeiras e tangerineiras. Dizem que "demora muito para entrar em produção" (plantas nativas não enxertadas). O que tenho dito aos meus coetâneos, quando vou à aldeia, é que se os nossos avós e pais não tivessem plantado laranjeiras, não estaríamos hoje a colhê-las.

Assim, plantei uma tamareira para os meus bisnetos colherem tâmaras. Há também novos relatos que apontam que espécies melhoradas podem entrar em produção entre 4 e 8 anos após o plantio. O tempo exacto pode variar dependendo das condições de crescimento, cuidados e da variedade da tamareira.
As tâmaras são importantes para os seres humanos por várias razões: são uma fonte nutritiva rica, contendo vitaminas, minerais, fibras e energia concentrada. Além disso, as tâmaras têm propriedades antioxidantes e podem ser uma alternativa natural de adoçante.
Culturalmente, as tâmaras são consumidas em diversas partes do mundo e desempenham um papel significativo em várias cozinhas tradicionais. Além disso, são frequentemente consumidas durante o Ramadão em muitas culturas islâmicas.
Economicamente, a produção de tâmaras é uma importante indústria agrícola em regiões propícias ao cultivo de tamareiras, fornecendo meios de subsistência para comunidades e contribuindo para a economia.

Publicado pelo JE&F de 02.02.24

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

MILHO E SORGO: QUAL RENDE MAIS?

Durante os dois dias de tolerância de ponto, decretada pelo Governo Provincial de Luanda, a propósito da visita do Presidente Biden Júnior a Angola, fiquei a apreciar o crescimento das minhas "amostras de milheiros e sorgo. Fora, felizes dias de chuva que está a transformar o castanho da terra fortemente calcada em verde crescente. E fiquei a pensar: Quais das duas sementeiras mais produz?

Procurando satisfazer a minha própria curiosidade e partilhar o achado com os leitores desta coluna, meti-me à colheita de informação técnica disponível, com maior pendor à literatura brasileira.
Antes importa referir que quer o milho quanto o sorgo, têm uma grande utilidade para a alimentação humana, animal e uso industrial. vejamos:
Enquanto alimento para o homem, o milho é usado como milho verde, milho em grão seco, farinha de milho e é ingrediente em muitos subprodutos processados como cereais matinais, pipoca, tortilhas, entre outros. Na indústria, serve para a fabricação de amido, óleos, xaropes e etanol (biocombustível), enquanto para uso animal é uma importante fonte de ração para o gado e outros animais.
O sorgo, por sua vez, é utilizado pelos homens na forma de farinha de sorgo para pães, bolos, mingaus, e outros produtos de panificação, especialmente em regiões onde o sorgo é uma cultura tradicional. Serve igualmente para a fabricação de xaropes de sorgo, bebidas fermentadas e biocombustíveis, sendo amplamente utilizado como forragem e ração animal devido ao seu valor nutricional.
Qual, então, entre as duas gramíneas, produz mais? 
pode ter uma sementeira mais densa, ou seja, mais plantas por hectare, o que pode contribuir para uma maior produção média, especialmente em condições menos favoráveis.
Já o milho requer espaçamentos maiores entre as plantas para garantir um bom desenvolvimento e rendimento. O sorgo possui maior tolerância à seca, o que permite uma produção mais consistente em regiões com escassez de água, ao contrário do milho que é mais sensível à carência hídrica e precisa de uma boa disponibilidade de água para alcançar altos rendimentos.

No que diz respeito à adaptabilidade ao clima, o milho é uma planta C4, o que significa que possui uma alta taxa fotossintética e responde bem ao aumento da intensidade luminosa. No entanto, é sensível a variações de temperatura e necessita de temperaturas ideais entre 24°C e 30°C para um bom desenvolvimento. O seu é altamente dependente da disponibilidade de água, temperatura e luz, podendo alcançar altos rendimentos de grãos em condições ideais.

O sorgo é uma planta, como se escreveu acima, mais resistente à seca e pode crescer em solos arenosos e de baixa fertilidade. Possui mecanismos eficientes de tolerância à seca e pode se recuperar rapidamente após períodos de seca. A temperatura ideal para o desenvolvimento do sorgo varia entre 16°C e 38°C.
O sorgo tem um rendimento menor do que o milho quando este semeado em condições ideais. Todavia, a sua resistência do sorgo à seca e a capacidade de crescer em solos menos férteis o tornam uma opção mais confiável em regiões com condições climáticas adversas como o sul de Angola e do território de Luanda, que é caracterizado por períodos de seca e temperaturas elevadas.

sábado, 7 de dezembro de 2024

A VIDEIRA


É a planta que produz uvas e tem origens antigas, sendo cultivada há milhares de anos no Oriente Médio e em algumas regiões da Europa e África (em Angola, destaque ao Libolo, Namibe e Huila). O tempo de vida da uma videira pode variar, mas muitas são produtivas por muitas décadas. A videira prospera em climas temperados e requer solo bem drenado e exposição solar adequada.

Os seus benefícios para o homem incluem a produção de uvas para consumo directo, sumos, vinhos e subprodutos como passas. Além disso, o cultivo da videira desempenha um papel importante na economia agrícola e na preservação de áreas verdes, contribuindo para a biodiversidade. O vinho, em particular, tem sido associado a alguns benefícios à saúde quando consumido com moderação, devido aos antioxidantes presentes.
Temo-la em Viana e no Zango (Luanda)