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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A MAMONA OU RÍCINO

Em visita às cachoeiras da Binga, no Kwanza ao Sul, deparei-me com uma planta cujas folhas possuem alguma semelhança (não tão próxima) com as da mandioqueira. Ela era/é encontrada perto de lixeiras, em aldeias abandonadas, entre pedregulhos e zonas de difícil agricultura. Na minha infância ousávamos em afirmar que "era comida para cobras" e o mito (diferente de razão) levava-nos a evitar a frequentar onde tal planta se fizesse presente. Com o tempo e os estudos da flora, apercebi-me que planta era. Assim, na viagem às Cachoeiras da Binga, entre muitas plantas que apresentei ao jovem luandense Alexandre Sousa, uma delas foi a mamona, também conhecida como Ricinus communis. É uma planta originária da África, especificamente da região que hoje corresponde à Etiópia. Em Angola, a mamona pode ser encontrada em várias regiões, especialmente em áreas com clima quente e seco.
Na preparação do solo, certifique-se de que este esteja bem drenado e livre de ervas daninhas; A irrigação regular pode aumentar a produtividade, embora a mamona seja resistente à seca; fique atento a pragas e doenças que podem afectar a planta.
É possível cultivar mamona em Luanda, considerando que ela se adapta bem a climas quentes e secos. No entanto, é importante seguir as práticas adequadas para garantir uma boa colheita.

A planta de mamona (Ricinus communis) é mais do que suas sementes e óleo. Suas folhas possuem propriedades terapêuticas incríveis que podem transformar sua saúde.

- Anti-inflamatórias: Reduzem inchaço e aliviam dores musculares e artrite.  
- Saúde digestiva: Chá das folhas melhora a digestão e alivia constipação.  
- Desintoxicação: Auxiliam na limpeza do fígado e eliminam toxinas.  
- Saúde da pele: Tratam acne, feridas e picadas de insetos, acelerando a cicatrização.  
- Alívio da dor: Eficazes contra dores de cabeça, cólicas menstruais e dores musculares.

Se tiver que usar, faça uma cataplasma para aplicar na pele, prepare chá ou infunda as folhas em óleo para massagens. 
Lembre-se, teste alergias antes de usar e consulte um profissional de saúde, especialmente em casos específicos. A natureza oferece soluções poderosas!

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A QUALIDADE DO SOLO E A SAÚDE DA PLANTA

Repare no que lhe pode parecer "saúde" destas herbáceas.

A parte que apresenta um verde intenso é sorgo (massambala) e já vai na segunda colheita. Sim, a sorgo não seca, após colheita. Nascem-lhe filhotes que também produzem grãos.  Diz a ciência agrícola que a planta pode ir até à terceira ou mais colheitas, cujo rendimento vai baixando, obvio.

As herbáceas que apresentam um verde-amarelado são milheiros. O milheiro é de colheita única, assim como a bananeira. Mas aqui a diferença de coloração tem a ver com a riqueza do solo e exigência da planta. O milho requer melhores cuidados e solo mais humificado para que a planta cresça com vigor e tenha grãos desenvolvidos. A carência ou excesso de água tornam-se críticos para o milheiro, ao contrário do seu "primo" sorgo que é mais tolerante em relação à riqueza do solo e ausência de água. Todavia, o sorgo resiste melhor à inundação, pois cria raízes aéreas (acima do solo) que tanto podem absorver humidade em tempo seco como isolar a base da planta inundada e continuar a viver. Por essa razão, o sorgo é plantável. Sempre que apresente raízes acima do solo, pode ser cortado e plantado. O milho não!

O campo de herbáceas rasas é de batateiras que me estão a poupar alguns Kwanzas.  Kingombo, aliás quiabo, também temos, mas são poucos. Trinta metros quadrados, semeados de quiabos na minha horta, ficaram inundados. A batateira regozija-se com a inundação temporária, pois a água depõe matéria orgânica que serve de alimento à planta rastejante que se multiplica e cobre de verde o espaço.

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Publicado pelo JE&F a 27 de Dezembro/2024 

domingo, 2 de agosto de 2026

REUTLIZAÇÃO SUSTENTÁVEL DO MATERIAL DA PODA

Já havíamos escrito, em apontamento anterior, que as condições geoclimáticas do nosso país, que possui apenas duas estações (chuvosa e seca), propiciam a poda das árvores frutíferas (e não frutíferas) preferencialmente nos meses sem “r”, ou seja, final de Maio, Junho Julho e finais de Agosto, período adequado para garantir a saúde da planta e a qualidade da produção de frutos.

Os galhos resultantes da poda de árvores em período frio e seco podem ser utilizados de várias maneiras úteis:

1. Lenha para aquecimento: podem ser cortados e usados para aquecer lareiras, fogões a lenha ou churrasqueiras.

2. Compostagem: os galhos podem ser triturados e usados como material para compostagem, contribuindo para a criação de adubo orgânico.

3. Cobertura de solo (Mulching): os galhos triturados podem ser espalhados no solo ao redor das plantas para manter a humidade, controlar ervas daninhas e proteger as raízes do frio.

4. Arte e artesanato: os galhos podem ser utilizados em projectos de arte e artesanato, como construção de móveis rústicos, batuques, almofarizes, decoração de interiores ou criação de esculturas e ornamentos ou ainda pequenas peças de marcenaria.

5. Bioenergia: em algumas regiões, galhos podem ser utilizados como biomassa para a produção de energia renovável em fornos ou caldeiras.

 6. Estacas e suporte para plantas: galhos mais finos e rectos podem ser usados como estacas para suporte de plantas em jardins e hortas.

7. Alimentação animal: em alguns casos, os galhos de certas árvores podem ser usados como forragem para alimentar animais. 

8. Construção de cercas e estacas: podem ser usados para fazer cercas rústicas, currais, estábulos, etc.

9. Habitat para vida selvagem: podem ser empilhados para criar habitats para pequenos animais, insectos e pássaros, proporcionando abrigo durante o período seco e frio.

A poda correta e o uso adequado dos galhos resultantes podem contribuir para a sustentabilidade e eficiência da produção agrícola.

Árvores como mangueiras, abacateiros, limoeiros e cajamangas, videiras, macieiras, pereiras, pessegueiros, entre outras devem ser podadas prosseguindo os seguintes objectivos:

- Mangueiras (Mangifera indica): deve ser podada após a colheita dos frutos, antes do início do novo ciclo de crescimento, para permitir a cicatrização dos cortes antes da chegada das chuvas e para estimular o crescimento de novos ramos produtivos.

- Abacateiros (Persea americana):  é importante podar antes do início do novo ciclo de crescimento, garantindo que a planta tenha tempo para se recuperar antes da frutificação.

- Limoeiros (Citrus limon): início da primavera para remover ramos doentes, danificados ou fracos e permitir a penetração de luz e circulação de ar, melhorando a produção de frutos.

- Cajamangas (Spondias dulcis): após a colheita dos frutos, geralmente no final do inverno ou início da primavera, para estimular o crescimento de novos ramos frutíferos e melhorar a estrutura da árvore para a próxima safra.

- Videiras (Vitis vinifera): a poda é essencial para estimular a produção de frutos e melhorar a qualidade das uvas.

- Macieiras (Malus domestica): ajuda a controlar o tamanho da árvore e a promover uma melhor circulação de ar e penetração de luz.

- Pereiras (Pyrus communis): a poda é necessária para manter a forma da árvore e melhorar a produção de frutos.

- Pessegueiros (Prunus persica): ajuda a promover o crescimento de novos ramos e a melhorar a qualidade dos frutos.

- Citrus (Citrus spp.): é importante para remover ramos doentes ou danificados e para melhorar a produção de frutas.

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

ALECRIM

"Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado..." Rosmarinus officinalis. Esse nome diz-lhe algo? O meu primeiro contacto com o nome terá sido em 1984 ou 85 na EBF - Escola Bíblica de Férias - na Igreja Metodista Unida. Embora cantasse eufórico e me lembre da canção até hoje, não sabia o que era, nem para que servia, até que passei a estudar as plantas da minha infância, da minha horta e do meu imaginário.

Alecrim, (Rosmarinus officinalis de nome científico) é uma erva aromática originária da região do Mediterrâneo, porém cultivado em muitas partes do mundo devido à sua adaptabilidade a diferentes climas. É geralmente cultivado em áreas com climas quentes e secos, como o Mediterrâneo, sul da Europa, norte de África, Califórnia e partes da América do Sul.

O alecrim é amplamente utilizado na culinária devido ao seu sabor e aroma distintos, sendo uma erva versátil que complementa uma variedade de pratos, desde carnes até legumes e pães. Além disso, possui benefícios medicinais, incluindo propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e estimulantes do sistema imunológico. Pode ser usado também em produtos de cuidados pessoais, como óleos essenciais e shampoos, devido às suas propriedades aromáticas e terapêuticas.

Temos um exemplar que se mostra ter adapatado ao solo e clima vianense.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

LALAMA: TÃO PRÓXIMO E TÃO DISTANTE!

19.01.2020- Zona ribeirinha ao rio Zenza, em Icolo e Bengo. Tão próximo, mas também tão distante, segundo as gentes que aqui agriculta.

A zona agrícola, municipio de Catete, é próxima de Luanda. Imperam casotas feitas de chapas. Resta saber se é pela facilidade de sua montagem ou uma cultura "arquitectónica" que se instala entre os meus "conterrâneos" catetenses de Lalama.

Ao que pude ver, naquele rio (Zenza) e naqueles angolanos, não correm apenas água e sangue. Corre também o desejo e o empenho  de todos os dias de irrigar a terra fértil e alimentar as comunidades, as vilas e a grande cidade.

A zona é "tão distante" do nosso curto imaginário que, durante décadas, ganhou a falsa ideia ou mesmo cultura da impossibilidade de.se praticar a agricultura em Angola, nem mesmo à volta de cidades, "por causa das minas pessoais": uma per capita, tudo para alimentar o bolso com os desvios que a importação permitia ou a reiqueza fácil facultada pela vemda do que comer . 

Tão distante para gente que pensa que a agricultura familiar precisa de ser feita com muitos recursos subvencionados pelo Estado, per si já magro, que já mama com impostos na teta do arruinado cidadão. 

Tão longe, Lalama, nas mentes de gente que nas suas cercanias ergueu luxuosos risorts e quintas de fazer turismo para que os exauridos, extorquidos e distraídos com festas de "sempre a subir e tchilar" não descobrissem onde repousam os dinheiros da sua fome e miséria imposta pela falta de patriotismo dos que se colocaram no leme do navio.

Em Lalama, antes terras agrícolas de mamãs "tembuás" sem trabalho em casas de sô ´tor ou funcionários da administração (Catete de Cima, Catete de Baixo, Domingos João, Kinzau, Mazozo, e eteceteras), observei um cruzamento de procedências:

_ Eme ngangw'Epala-kya-Samba, Kotofe katundu (sou da Kibala, vim de Katofe).

_ Ame nda kitiwila ko Vye (nasci no Bié)

_ A ngivalela ku Kaxikane, ngeza mu sota wengi (nasci em Kaxikane e vim procurar negócio)

_ Yami nguli kacokwe. Cihunda ca Nuryeji (Sou procedente de Muryeji, sou kacokwe)

É. Lalama mostra em miniatura o que Angola precisa: mulheres e homens que trabalhem e que digam não à ociosidade e ao furto da banana e mandioca alheia!

Observei atento, o que um (hoje) desconhecido investidor (meu filho disse que só podia ser branco pelo tamanho das edificações) erguera em Lalama. Casa de dois pisos e um miradouro, campos irrigados, no vale do Zenza, pocilgas e casas para "assalariados" ou contratados (escravos camuflados de outra era) que ali trocavam suor por peixe, fuba e cobertor. Bem podiam ser aproveitadas as instalações e revitalizados os campos de produção intensiva e permanente. Mas, o fogo da revolução, o "partitudismo" que a "independência trará coisas novas e melhores", tudo derrubou, obrigando as pessoas a começarem do nada.

Também conheci, finalmente, a rodovia que liga Viana-Catete-Kifangondo-Cacuaco-Viana.

Tão próximo, mas também tão distante (para quem não anda)!

sábado, 2 de maio de 2026

PLANTAS COM ANTROPÓNIMOS

Na minha estufa e no meu pomar caseiro, cada planta e cada árvore recebe um nome humano.

O mangostão resultou de sementes sugeridas pela Lídia Lopes, enquanto estávamos numa missºao de serviço no Dubai. Levadas à terra, brotaram duas plantinhas, e dei o nome dela.
O nome de Tino Cardona foi atribuído à bananeira e à palmeira que ele me ofereceu.
Uma mangueira, já a brindar-me com suculentas frutas, ganhou o nome da doadora, Maria de Lurdes "Milu".
Depois de 27 anos à procura da planta Artocarpus altilis (fruta-pão), finalmente consegui uma, enviada do Uíje pelo Jaime Reais. Ela sobreviveu e se adaptou ao clima e solo do Zango IV, ganhando o nome de Jaime.
O Jose Kassola Kassola presenteou-me com abacates carnudos. As sementes germinaram e as mudas receberam o nome dele.

domingo, 19 de abril de 2026

TENTAMDO KUMQUAT EM ANGOLA

Foi na minha terceira viagem à China (Abril 2026) que descobri o inesperado encanto de uma pequena laranjinha que se comia inteira, casca e tudo. O kumquat, ou kinkan, surpreendeu-me pela simplicidade: a casca doce contrastava com a polpa ácida, e juntos formavam um sabor que parecia conter histórias antigas de mercados e tradições.  

Na cultura chinesa, o kumquat simboliza prosperidade e boa sorte, sendo presença marcante nas festividades do Ano Novo Lunar. Pequeno como uma azeitona grande, mas carregado de significados, pode ser consumido fresco, cristalizado, em compotas, ou transformado em licores e chás medicinais.  

A humildade do gesto de plantar acompanha cada uma dessas descobertas. Não é apenas sobre o fruto, mas sobre a paciência de esperar, o cuidado de regar e a esperança de ver brotar. Assim como aconteceu com o mangustão, cujas sementes trouxe do Dubai, em trânsito de outra viagem à China, há dois anos, e que já começa a escrever sua própria história nos solos angolanos.  

Para que o kumquat floresça, precisa de solo fértil, profundo e bem drenado, rico em matéria orgânica, preferencialmente arenoso ou franco-argiloso. O clima ideal é subtropical a tropical, com boa exposição solar e chuvas moderadas, mas sem excesso de humidade. Em Angola, especialmente em Luanda e Munenga, o desafio será equilibrar a estação chuvosa com períodos secos, criando condições para que a planta encontre o ritmo certo de crescimento e frutificação.  

Trouxe sementes e foram lançadas nos vasos. Veremos o que deles virá e se se adaptarão ao solo e clima angolano. Lídia Lopes foi minha incentivadora.  

_ Leva, Dr. LAC, e conta as estórias, tal como tens narrado o crescimento do mangustão.