19.01.2020- Zona ribeirinha ao rio Zenza, em Icolo e Bengo. Tão próximo, mas também tão distante, segundo as gentes que aqui agriculta.
A zona agrícola, municipio de Catete, é próxima de Luanda. Imperam casotas feitas de chapas. Resta saber se é pela facilidade de sua montagem ou uma cultura "arquitectónica" que se instala entre os meus "conterrâneos" catetenses de Lalama.
Ao que pude ver, naquele rio (Zenza) e naqueles angolanos, não correm apenas água e sangue. Corre também o desejo e o empenho de todos os dias de irrigar a terra fértil e alimentar as comunidades, as vilas e a grande cidade.
A zona é "tão distante" do nosso curto imaginário que, durante décadas, ganhou a falsa ideia ou mesmo cultura da impossibilidade de.se praticar a agricultura em Angola, nem mesmo à volta de cidades, "por causa das minas pessoais": uma per capita, tudo para alimentar o bolso com os desvios que a importação permitia ou a reiqueza fácil facultada pela vemda do que comer .
Tão distante para gente que pensa que a agricultura familiar precisa de ser feita com muitos recursos subvencionados pelo Estado, per si já magro, que já mama com impostos na teta do arruinado cidadão.
Tão longe, Lalama, nas mentes de gente que nas suas cercanias ergueu luxuosos risorts e quintas de fazer turismo para que os exauridos, extorquidos e distraídos com festas de "sempre a subir e tchilar" não descobrissem onde repousam os dinheiros da sua fome e miséria imposta pela falta de patriotismo dos que se colocaram no leme do navio.
Em Lalama, antes terras agrícolas de mamãs "tembuás" sem trabalho em casas de sô ´tor ou funcionários da administração (Catete de Cima, Catete de Baixo, Domingos João, Kinzau, Mazozo, e eteceteras), observei um cruzamento de procedências:
_ Eme ngangw'Epala-kya-Samba, Kotofe katundu (sou da Kibala, vim de Katofe).
_ Ame nda kitiwila ko Vye (nasci no Bié)
_ A ngivalela ku Kaxikane, ngeza mu sota wengi (nasci em Kaxikane e vim procurar negócio)
_ Yami nguli kacokwe. Cihunda ca Nuryeji (Sou procedente de Muryeji, sou kacokwe)
É. Lalama mostra em miniatura o que Angola precisa: mulheres e homens que trabalhem e que digam não à ociosidade e ao furto da banana e mandioca alheia!
Observei atento, o que um (hoje) desconhecido investidor (meu filho disse que só podia ser branco pelo tamanho das edificações) erguera em Lalama. Casa de dois pisos e um miradouro, campos irrigados, no vale do Zenza, pocilgas e casas para "assalariados" ou contratados (escravos camuflados de outra era) que ali trocavam suor por peixe, fuba e cobertor. Bem podiam ser aproveitadas as instalações e revitalizados os campos de produção intensiva e permanente. Mas, o fogo da revolução, o "partitudismo" que a "independência trará coisas novas e melhores", tudo derrubou, obrigando as pessoas a começarem do nada.
Também conheci, finalmente, a rodovia que liga Viana-Catete-Kifangondo-Cacuaco-Viana.
Tão próximo, mas também tão distante (para quem não anda)!