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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

O CUMBO |1|

"O cumbo é, segundo Moisés Malumbo, a menor unidade agrícola familiar entre os ovimbundu, algo também aplicável aos ambundu, cuja família etnolinguística pertenço.

Na escala ascendente, Malumbo coloca: 
a) cumbo (à volta de casa) onde se colhe a verdura imediata;

b) naka (perto, à meia distância de casa) onde se cultivam hortaliças, legumes e tubérculos. A naka é equivalente à zona baixa ou sob regadio.

c) épya (à distância razoável de casa) onde se cultivam bens de consumo permanente e excedentes para permuta e/ou venda.

A minha mulher tem um pequeno descampado anexo ao muro da casa, onde concentrou material de construção para vedação posterior. Vou fazer o meu cumbo e deleitar-me com o crescer das plantas sobrevivas. Já estou vacinado contra o vandalismo da vizinhança: chegam em hordas, arrancam as plantas pelo simples prazer de não deixar o vizinho ter plantas no canteiro ou atrás da casa. Não faz mal. O bem sempre vence!

Inspirado pela irmã Maria De Lurdes Bartolomeu, cuja estufa visitei este mês (Dezembro de 2021), e pela tia Judith Luacute que é apaixonada pelo verde (comestível), iniciei com duas bananeiras que gemiam asfixiadas dentro do quintal por falta de sol. Assim termina o meu 2021."

Três anos depois, chegados a 31 de Dezembro de 2024, confirmo termos comido vários cachos de banana de mesa e de banana-pão, ter alargado o cumbo, semeado milho, sorgo e quiabo, assim como plantado batateira, cana e várias frutícolas e hortícolas em crescimento e expansão, cuja relação permitiram-me alimentar a minha coluna, inicialmente "conversas milhonárias", no Jornal de Economia & Finanças.

A novidade, para 2025, é que o cumbo está a migrar do antigo descampado, agora vedado, para outro pequeno descampado atrás deste. Vamos continuar a contar estórias e partilhar conhecimento e agro-experiências.

Faço votos de que todos os possuidores de pequenos terrenos e quintais ganhem o gosto pelo plantio de árvores frutícolas e ervas comestíveis!

|1| pronuncia-se tchumbô.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

HÁ JÁ DOIS "NATAIS" QUE "CAI" BOI

_ Ó papá (minha mãe trata-me assim), vem ainda aqui! Quando o teu avô, o meu pai, morreu, caiu boi. Era Soba Grande do Kuteka. Quando o teu avô paterno, Ngana Muryangu, morreu, também caiu boi. Onde chegaste, é porque estamos na cidade, se estivéssemos no Kuteka, é mesmo para cair boi!


E a velha não disse nada mais. Levei o "recado/desafio" por algum tempo até que o mano Lauriano Tchoia me sugeriu a constituição de uma cooperativa de criação de bovinos. Sem fazer cálculos das vantagens e riscos dos económicos, aderi. Já tivemos menos do que temos actualmente. As quotas mensais estão a caminho do passado e há já dois "natais" que os dentes exercitam "carne com vinho de 14°. Caiu (mais um) boi!

sábado, 21 de dezembro de 2024

TAMAREIRA

Há uma lenda que diz que "quem planta tamareira não colhe tâmara". Isso não me preocupa. Na minha região acontece algo semelhante com as laranjeiras e tangerineiras. Dizem que "demora muito para entrar em produção" (plantas nativas não enxertadas). O que tenho dito aos meus coetâneos, quando vou à aldeia, é que se os nossos avós e pais não tivessem plantado laranjeiras, não estaríamos hoje a colhê-las.

Assim, plantei uma tamareira para os meus bisnetos colherem tâmaras. Há também novos relatos que apontam que espécies melhoradas podem entrar em produção entre 4 e 8 anos após o plantio. O tempo exacto pode variar dependendo das condições de crescimento, cuidados e da variedade da tamareira.
As tâmaras são importantes para os seres humanos por várias razões: são uma fonte nutritiva rica, contendo vitaminas, minerais, fibras e energia concentrada. Além disso, as tâmaras têm propriedades antioxidantes e podem ser uma alternativa natural de adoçante.
Culturalmente, as tâmaras são consumidas em diversas partes do mundo e desempenham um papel significativo em várias cozinhas tradicionais. Além disso, são frequentemente consumidas durante o Ramadão em muitas culturas islâmicas.
Economicamente, a produção de tâmaras é uma importante indústria agrícola em regiões propícias ao cultivo de tamareiras, fornecendo meios de subsistência para comunidades e contribuindo para a economia.

Publicado pelo JE&F de 02.02.24

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

MILHO E SORGO: QUAL RENDE MAIS?

Durante os dois dias de tolerância de ponto, decretada pelo Governo Provincial de Luanda, a propósito da visita do Presidente Biden Júnior a Angola, fiquei a apreciar o crescimento das minhas "amostras de milheiros e sorgo. Fora, felizes dias de chuva que está a transformar o castanho da terra fortemente calcada em verde crescente. E fiquei a pensar: Quais das duas sementeiras mais produz?

Procurando satisfazer a minha própria curiosidade e partilhar o achado com os leitores desta coluna, meti-me à colheita de informação técnica disponível, com maior pendor à literatura brasileira.
Antes importa referir que quer o milho quanto o sorgo, têm uma grande utilidade para a alimentação humana, animal e uso industrial. vejamos:
Enquanto alimento para o homem, o milho é usado como milho verde, milho em grão seco, farinha de milho e é ingrediente em muitos subprodutos processados como cereais matinais, pipoca, tortilhas, entre outros. Na indústria, serve para a fabricação de amido, óleos, xaropes e etanol (biocombustível), enquanto para uso animal é uma importante fonte de ração para o gado e outros animais.
O sorgo, por sua vez, é utilizado pelos homens na forma de farinha de sorgo para pães, bolos, mingaus, e outros produtos de panificação, especialmente em regiões onde o sorgo é uma cultura tradicional. Serve igualmente para a fabricação de xaropes de sorgo, bebidas fermentadas e biocombustíveis, sendo amplamente utilizado como forragem e ração animal devido ao seu valor nutricional.
Qual, então, entre as duas gramíneas, produz mais? 
pode ter uma sementeira mais densa, ou seja, mais plantas por hectare, o que pode contribuir para uma maior produção média, especialmente em condições menos favoráveis.
Já o milho requer espaçamentos maiores entre as plantas para garantir um bom desenvolvimento e rendimento. O sorgo possui maior tolerância à seca, o que permite uma produção mais consistente em regiões com escassez de água, ao contrário do milho que é mais sensível à carência hídrica e precisa de uma boa disponibilidade de água para alcançar altos rendimentos.

No que diz respeito à adaptabilidade ao clima, o milho é uma planta C4, o que significa que possui uma alta taxa fotossintética e responde bem ao aumento da intensidade luminosa. No entanto, é sensível a variações de temperatura e necessita de temperaturas ideais entre 24°C e 30°C para um bom desenvolvimento. O seu é altamente dependente da disponibilidade de água, temperatura e luz, podendo alcançar altos rendimentos de grãos em condições ideais.

O sorgo é uma planta, como se escreveu acima, mais resistente à seca e pode crescer em solos arenosos e de baixa fertilidade. Possui mecanismos eficientes de tolerância à seca e pode se recuperar rapidamente após períodos de seca. A temperatura ideal para o desenvolvimento do sorgo varia entre 16°C e 38°C.
O sorgo tem um rendimento menor do que o milho quando este semeado em condições ideais. Todavia, a sua resistência do sorgo à seca e a capacidade de crescer em solos menos férteis o tornam uma opção mais confiável em regiões com condições climáticas adversas como o sul de Angola e do território de Luanda, que é caracterizado por períodos de seca e temperaturas elevadas.

sábado, 7 de dezembro de 2024

A VIDEIRA


É a planta que produz uvas e tem origens antigas, sendo cultivada há milhares de anos no Oriente Médio e em algumas regiões da Europa e África (em Angola, destaque ao Libolo, Namibe e Huila). O tempo de vida da uma videira pode variar, mas muitas são produtivas por muitas décadas. A videira prospera em climas temperados e requer solo bem drenado e exposição solar adequada.

Os seus benefícios para o homem incluem a produção de uvas para consumo directo, sumos, vinhos e subprodutos como passas. Além disso, o cultivo da videira desempenha um papel importante na economia agrícola e na preservação de áreas verdes, contribuindo para a biodiversidade. O vinho, em particular, tem sido associado a alguns benefícios à saúde quando consumido com moderação, devido aos antioxidantes presentes.
Temo-la em Viana e no Zango (Luanda)

sábado, 16 de novembro de 2024

O MAMOEIRO

Ao largo da casa ou na lavra sempre tivemos vários mamoeiros e de diversas espécies. Os mamoeiros podem também ser encontrados no meio da floresta, "plantados" pelos pássaros que defecam as suas sementes.

O mamoeiro é originário da região tropical da América Central, adaptando-s3 melhor a climas quentes e húmidos. É cultivado em áreas com temperaturas entre 25°C e 30°C, incluindo Luanda, localizada numa região tropical, oferecendo, por isso, condições favoráveis para o cultivo do mamoeiro.
Os benefícios do mamão para a saúde humana incluem ser uma excelente fonte de vitamina C, fibras e enzimas digestivas, promovendo a saúde digestiva e fortalecendo o sistema imunológico. Além disso, o mamão contém antioxidantes e nutrientes essenciais para a pele.
No entanto, é importante mencionar que algumas pessoas podem ter alergias ao látex presente no mamão, o que pode causar reações adversas. Além disso, o consumo excessivo de mamão pode levar a desconforto gastrointestinal devido às enzimas digestivas.
A quem possua casa com quintal aconselha-se ter, no mínimo, um mamoeiro. Se quiser ter muitos mamoeiros, contacte um especialista que lhe vai aconselhar sobre a espécie, e espaçamento entre as plantas, a diferença de idade das plantas, o tratamento da terra, a rega e outros aspectos que podem elevar a produtividade e a renovação dos mamoeiros, já que não é uma planta de longa vida.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

LONGAN ou LONGANA

Nome científico: Dimocarpus longan. Nomes Populares: Longan, olho de dragão, longana. É uma planta frutífera nativa da China e da Tailândia e ocasionalmente cultivada em alguns poucos pomares domésticos no Brasil. A árvore é semidecídua, ou seja, derruba parte de suas folhas em determinada época do ano e pode atingir até 8 metros.

Os seus frutos são drupas globosas de casca fina e quabradiça, de coloração amarronzada com polpa translúcida de sabor bem doce que envolve uma grande semente. A maturação dos frutos ocorre normalmente entre Janeiro e Março.
Utilização e Consumo: Os frutos são consumidos na maioria das vezes ao natural, em calda ou desidratados. Na China e na Ásia Oriental a fruta é bastante consumida em sopas, lanches e sobremesas.
Cultivo: Os especialistas recomendam o plantio de mudas provenientes de alporquia pois quando plantada de semente pode levar até 8 a 10 anos para iniciar a frutificação. A planta gosta de sol pleno, clima subtropical e não tolera o frio intenso. Desenvolve-se melhor em solos úmidos desde que não sejam encharcados. Deve-se realizar podas de contenções, cortando os brotos laterais e realizando a limpeza interna dos galhos.
Na China o fruto recebe o nome popular "Olho de Dragão" devido ao visual da polpa da fruta quando aberta, que remete ao formato de uma íris de um olho de dragão.
Usos medicinais: Muito utilizada na fitoterapia chinesa em função de suas propriedades nutritivas que agem no fortalecimento do sistema imunológico, na produção de glóbulos vermelhos e na cicatrização de lesões.

Na China o fruto é utilizado para prevenir anemia em crianças pois contém altas quantidades de cálcio, carboidratos, proteínas, ferro, potássio e vitaminas (A, B1, B2 e C).
A fruta seca é utilizada para acabar com a insônia enquanto a fruta fresca para reduzir febres.
Temo-la em Luanda (Viana e Zango)