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terça-feira, 17 de junho de 2025

A GAJAJEIRA

A estória do "xixi que me atrasou seis anos" está ligada à da minha ligação afectiva à gajaja.

Quem passa pela Pousada do Nagana Mbubdu (Walter Kruk), também conhecida como Pousada da Mukonga, na EN 120, comuna da Munenga, Lubolu, ainda encontra a gajajeira que oferecia sombra aos vários passageiros das carreiras da Viriatos, EVA, ETP e ETIM, nos anos setenta e oitenta do século passado.

Naquela que seria e minha primeira viagem a Luanda (1978), anulada por causa de um maldito xixi nos calções, tínhamos chegado (minha mãe e eu) até ao Ngana Mbundu para apanhar um machimbombo até Luanda, tive o contacto mais directo com a árvore e suas frutas.

Já tinha, antes, provado o sabor doce e ácido da gajaja, mas nunca tinha desfrutado de forma intensa do seu cheiro característico e de sua sombra. Tenho hoje a gajajaeira como uma de minhas árvores de eleição e que tenho tentado (ainda sem logro) ter em casa.


A gajajeira é uma planta tropical, também conhecida como cajazeira e tem o nome científico de Spondias mombin. Originária da América tropical, é comumente encontrada em áreas tropicais da América Central e do Sul, incluindo a África Tropical. A gajajeira prospera em climas quentes e húmidos, preferindo temperaturas entre 25°C e 35°C e requer uma estação seca bem definida (como o nosso cassimbo) para a frutificação. A gajajeira é adaptável a uma variedade de solos, desde que sejam bem drenados.

A gajajeira pode adaptar-se bem ao clima de Luanda,  desde que receba os cuidados adequados e esteja protegida contra geadas e ventos fortes que podem prejudicar o seu crescimento. Por isso mesmo, plantámos (estaquia) três emplares, no Zango e Vila de Viana, que esperamos venham a germinar.

A fruta, gajaja, tem diversas utilidades, sendo consumidos frescos, usados na produção de sucos, geleias e sorvetes, e também são frequentemente utilizados na produção de doces e licores. Além disso, as suas folhas são utilizadas na medicina popular para o tratamento de diversas condições, como diarreia e inflamações.9

Os benefícios para o homem incluem o fornecimento de uma fonte de alimento nutritivo, rico em vitaminas A e C, além de minerais como cálcio, fósforo e ferro. A gajaja também é importante para a economia local, proporcionando renda para agricultores e contribuindo para a diversificação da produção agrícola. Além disso, o cultivo da gajajeira pode ajudar na preservação ambiental, já que a árvore pode ser utilizada para restauração de áreas degradadas e contribuir para a manutenção da biodiversidade.

sábado, 31 de maio de 2025

O MANJERICÃO

O nome sempre me soou bem. As mulheres que gostam de cozinhar e os chefes nos hoteis têm-no sempre à mão. Porém, custou tê-lo em casa, até que, passando por uma local turístico na Konda, Kwanza-Sul, pode obter um pequeno ramo que cuidei durante três dias de viagem para que chegasse vivo. Sob cuidados especiais, a erva adaptou-se ao clima e solo do Zango IV, estando a expandir-se com ramos já "emprestados" entre Viana e Prenda.


O manjericão é uma erva aromática bastante versátil e adaptável. Prefere temperaturas quentes e solos bem drenados. Dado que Luanda possui um clima tropical húmido, o manjericão pode prosperar bem, desde que receba bastante luz solar e seja regado regularmente, evitando encharcamento do solo.

O manjericão é amplamente utilizado na culinária para adicionar sabor e aroma aos pratos, especialmente em molhos, saladas, massas e pratos à base de tomate. Além disso, o manjericão também tem propriedades medicinais, sendo utilizado na medicina tradicional para tratar problemas digestivos, inflamações e até mesmo como repelente de insetos.

Entre os benefícios do manjericão, destacam-se suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antibacterianas, que podem ajudar a promover a saúde geral do corpo e fortalecer o sistema imunológico. Além disso, seu aroma pode ajudar a reduzir o estresse e promover uma sensação de calma e relaxamento.

Quer tentar? Basta um vaso com terra humificada, bem drenado e exposto à luz.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

A MUNGUBA OU CASTANHEIRA


Às vezes a encontramos em casas e fazendas (mais) como árvore decorativa, usada para matar a saudade ou marcar o engodo por plantas raras. De minhas largas caminhadas por cidades, vilas e fazendas não a encontrei (ainda) plantada em grande escala e com aproveitamento económico, embora seja uma planta facilmente adaptável aos climas angolanos e que, se plantada em quantidade, pode proporcionar boas colheitas com destino o mercado. Acompanhe a descrição:

Também conhecida como castanha-do-marajó, a munguba (pachira aquatica, de nome científico) é uma árvore nativa da Amazônia, pertencente à família das Bombacáceas. A semente da munguba é comestível e possui um sabor semelhante ao da castanha, daí o seu nome alternativo "castanha-do-pará". Ela é utilizada na culinária regional e também na produção de óleos e cosméticos. Além disso, a madeira da árvore é utilizada na fabricação de móveis e embarcações.

A munguba oferece diversos benefícios para os seres humanos, tais como:

1. As sementes da munguba são ricas em proteínas, fibras e gorduras saudáveis, fornecendo nutrientes essenciais para o corpo humano.

2. Devido ao seu teor de gorduras saudáveis, as sementes de munguba podem fornecer energia sustentada ao longo do dia.

3. As gorduras presentes nas sementes da munguba, como os ácidos graxos insaturados, podem ajudar a promover a saúde cardiovascular, reduzindo o risco de doenças cardíacas.

4. A munguba contém compostos antioxidantes que ajudam a combater os danos causados pelos radicais livres no corpo, contribuindo para a saúde celular e o envelhecimento saudável.

5. O óleo extraído das sementes da munguba é rico em ácidos graxos essenciais e vitaminas que ajudam a manter a saúde da pele e do cabelo, podendo ser usado em produtos cosméticos.

6. As sementes da munguba são uma boa fonte de fibras, que são importantes para a saúde digestiva, ajudando na regulação do trânsito intestinal e na prevenção de problemas como a constipação.

7. Em algumas culturas, a munguba é usada na medicina tradicional para tratar uma variedade de condições, como problemas digestivos, inflamações e infecções.

Embora a munguba ofereça diversos benefícios à saúde, deve ser consumida com moderação e como parte de uma dieta equilibrada.

A planta prospera em climas tropicais húmidos, preferencialmente onde haja temperaturas elevadas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, como as florestas tropicais. Os solos, embora húmidos devem estar drenados.

A árvore de munguba começa a produzir sementes comestíveis entre 4 a 8 anos de idade, dependendo do tipo de clima, solo e tratamento. Possuindo Luanda um clima tropical húmido, com temperaturas elevadas ao longo do ano e uma estação chuvosa bem definida, a planta desenvolve-se com facilidade e pode entrar em produção precocemente.

Possuo uma castanheira (mungubeira) no Zango IV que entrou em produção em menos de 3 anos de plantio. Se quiser seguir-me o exemplo, atenda ao seguinte:

Certifique-se de que o solo esteja bem drenado e rico em matéria orgânica. A munguba prefere solos férteis e profundos.

A mungubeira tolera períodos curtos de seca. Porém, é importante irrigá-la adequadamente durante os períodos de estiagem prolongada, sobretudo nos primeiros anos de crescimento.

A planta jovem é sensível a ventos fortes. Plante as mudas em áreas protegidas ou use quebra-ventos para reduzir os danos causados pelo vento.

Faça o controle de pragas para detectar sinais de infestação e, se tal acontecer, use inseticidas ou fungicidas.

Fertilize a planta regularmente com adubos orgânicos ou químicos balanceados para promover um crescimento saudável e uma boa produção de frutos.

Realize podas regulares para remover galhos secos ou danificados, promovendo o crescimento vigoroso da planta.

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Publicado no JE&F de 29.03.24

sábado, 3 de maio de 2025

MANGUSTÃO

É uma fruta tropical conhecida e admirada pelo seu sabor doce e levemente ácido. É originária do Sudeste Asiático e popular em muitas regiões tropicais do mundo, embora não muto conhecida em Angola.

O mangustão tem uma casca roxa espessa e dura. A sua polpa é branca, suculenta e dividida em segmentos. A fruta é, muitas vezes, chamada de "rainha das frutas" devido ao seu sabor delicado e propriedades nutritivas. Além disso, o mangustão é rico em antioxidantes, vitaminas e minerais.
Procedente da China, a caminho de Luanda, a minha colega Lídia Lopes provocou-me, num dos hotéis de Dubai em que tomávamos o pequeno-almoço a provar o mangustão.
Em princípio, a minha resposta tendia para o "não", tendo sido convencido pela réplica dela quando a perguntei se "a fruta tinha sementes". Provei a fruta e levei algumas sementes no bolso, andando perdidas meses na mala. Descobertas, levei-as a um vaso e tenho uma muda de mangustão que, se chegar à vida adulta, terá (no meu pequeno pomar caseiro) o nome dela. Lídia!
Para o bom desenvolvimento e produtividade do mangustão, são essenciais os seguintes fatores ambientais:

Clima: tropical quente e húmido. Requer temperaturas entre 25°C e 35°C e não tolera geadas ou temperaturas abaixo de 4°C.

Precipitação: a planta necessita de alta umidade e uma precipitação anual entre 1.500 mm e 2.500 mm, distribuída ao longo do ano. Humidade constante é crucial, especialmente durante os primeiros anos de crescimento.

Solo: os ideais são os profundos, ricos em matéria orgânica e bem drenados. O pH do solo deve estar entre 5,5 e 6,8. Solos muito argilosos ou arenosos devem ser evitados.

Sombreamento: o mangustão precisa de sombreamento parcial nos primeiros anos de vida. Árvores mais maduras podem tolerar pleno sol, mas sombra moderada pode ser benéfica.

Espaçamento e poda: as árvores precisam de espaço suficiente para crescer, com espaçamento de aproximadamente 8 a10 metros entre elas. A poda regular ajuda a manter a forma da árvore e a promover a circulação de ar.

Drenagem: a drenagem adequada é essencial para evitar a podridão das raízes, uma vez que o mangustão é sensível ao encharcamento.

Manutenção: rega regular, controle de pragas e doenças, além da adubação adequada, são práticas cruciais para garantir a saúde e a produtividade da planta.

Com esses cuidados, o mangustão pode desenvolver-se bem em Angola, produzindo frutos de alta qualidade.
Eu estou a tentar e você também pode!

sexta-feira, 25 de abril de 2025

UMA ACEROLA EM VIANA

Em 2020, ganhámos duas aceroleiras que haviam sido plantadas no parque da Kam&mesa, no Zango IV. Quando decidi criar galinhas-do-mato (Numida meleagris) como animais de estimação, elas provaram a seiva das árvores, ainda jovens, e debicaram toda a casca, o que acabou por provocar a seca das plantas. É que a “vida da planta” circula pela casca (floema) e não pelo interior do tronco.

A aceroleira (Malpighia emarginata) é uma planta típica das Américas tropicais, com origem provável na região da Mata Atlântica brasileira. A fruta, conhecida como acerola, é pequena, arredondada, de cor vermelha intensa quando madura, e possui uma polpa suculenta, de sabor ácido e refrescante.

Adapta-se bem a diferentes tipos de solo e climas, desde que não sejam sujeitos a geadas ou frio intenso. O clima tropical húmido de Luanda oferece condições para o seu cultivo.

A acerola é excelente para o sistema imunológico! Ela é uma das frutas com maior concentração de vitamina C — podendo conter até 100 vezes mais do que a laranja. Essa vitamina é essencial para:

  • Fortalecer as defesas naturais do corpo, aumentando a produção e eficácia dos glóbulos brancos, que combatem infecções.
  • Prevenir e combater doenças comuns, como gripes, resfriados, sinusites e outras infecções.
  • Atuar como antioxidante, protegendo as células contra os danos causados pelos radicais livres.

Além disso, a acerola também ajuda na absorção de ferro, o que é importante para prevenir a anemia e manter o corpo energizado.


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Publicado a 12 de Julho de 2024 pelo JE&F

sexta-feira, 4 de abril de 2025

BAMBU

Em 2007 "comprei" uma parcela de terra no bairro Vila Nova, em Viana (Luanda) que apresentava propensão para enravinamento , pois está situando à beira da vala que conduz as águas pluviais e urbanas (de Viana) à Lagoa de Terembembe.

Conhecendo as propriedades estabilizadoras de solos do bambu, decidi levar de Catoca, Lunda Sul, uma porção de mais ou menos 40 centímetros em uma mochila que, sob cuidados de rega, germinou e se está a reproduzir em grande escala, sendo "resgatário" de vizinhos e outros interessados em estabilizar solos ou formar uma cortina contra poeiras e ventos.

O bambu é uma planta de origem asiática, conhecida por suas propriedades versáteis e sustentáveis. A Sua importância na estabilização de solos e na criação de ambientes propícios para o crescimento está relacionada a vários fatores:
1. Raízes robustas: O sistema radicular do bambu é extenso e eficaz na prevenção da erosão do solo. As raízes ajudam a estabilizar encostas e margens de rios, reduzindo os riscos de deslizamentos de terra.
2. Crescimento rápido: O bambu é uma planta de crescimento rápido, o que o torna uma escolha eficaz para a rápida cobertura do solo e a proteção contra a erosão. Sua capacidade de regeneração é notável.
3. Fixação de carbono: O bambu é uma cultura eficiente na fixação de carbono atmosférico. O rápido crescimento e a absorção de dióxido de carbono contribuem para a redução dos gases de efeito estufa.
4. Material de construção sustentável: Além de suas propriedades no ambiente natural, o bambu é valorizado como um material de construção sustentável. Sua resistência e leveza tornam-no adequado para uma variedade de aplicações, desde construções simples até estruturas mais elaboradas.
5. Biodiversidade: O cultivo de bambu pode promover a biodiversidade, oferecendo habitats para várias espécies. Suas folhas caídas podem enriquecer o solo, contribuindo para um ecossistema equilibrado.
Ao utilizar o bambu para a estabilização de solos, plantio de cortinas corta-vento ou para promover um ambiente propício para o crescimento, os benefícios ambientais e sustentáveis são evidentes. Tente.

domingo, 16 de março de 2025

A BANANA ROXA

Sempre que procuro reavivar memórias de Kitumbulu, fazenda de meu avô paterno, onde vivi da nascença aos 4 anos, uma das imagens que sempre chegou à frente das outras é a da bananeira roxa. Aos olhos de então (garoto de 4 anos), a bananeira roxa parecia infindável e única/distinta naquela horta em que o meu pai escondia as bananas debaixo das folhas secas e nos metíamos a farejar para encontrar as bananas maduras com que nos deliciávamos até que "não houvesse mais barriga".

No meu imaginário de menino, a singularidade da banana roxa rivalizava apenas com a árvore (enxertada) que produzia laranjas e goiabas. Saber enxertar é, ainda, um de meus desideratos.

Voltemos à banana roxa. Sempre quis ter uma amostra da bananeira, quer quando vivia no Lubolu, quer em Luanda.

Oferecida por Fragata de Morais

Descobri, por via das interações que as redes sociais facilitam, aperceber-me que o mais velho Fragata de Morais tinha a espécie em sua casa, no istmo de Luanda. Palavras mais palavras, e como temos a literatura e a União dos Escritores em comum, lá o mwadyakime convidou-me para visitá-lo, acompanhado de uma raridade (plantas) que tenho, a fim de me ofertar um pé de bananeira roxa.

Recebi-a um "botãozito", mas já exibiu 5 novas folhas em quase um mês.

A banana roxa (ou banana vermelha) é uma variedade que se distingue pela cor da casca, que varia de vermelho a roxo. É originária do sudeste asiático, mas actualmente é cultivada em várias regiões tropicais do mundo, incluindo Angola.


As condições ideais para o seu cultivo incluem:

- Clima tropical e subtropical, necessitando de temperaturas quentes, geralmente entre 20°C e 30°C.

- Solo bem drenado e fértil, preferencialmente ricos em matéria orgânica e com boa drenagem.

- Quanto à água, requer irrigação adequada, com solo mantido constantemente húmido, mas não encharcado.

- Demanda luz solar, pois a bananeira roxa cresce melhor em áreas com luz solar directa, mas também pode tolerar sombra parcial.

Os benefícios para o as saúdes do homem incluem:

- Riqueza em nutrientes: contêm vitaminas C e B6, fibras, potássio e antioxidantes.

- Propriedades antioxidantes: a cor roxa indica a presença de antocianinas que ajudam a combater os radicais livres no corpo.

- Digestão: o alto teor de fibras auxilia na digestão e promove a saúde intestinal.

- Energia: como outras variedades de banana, fornecem uma boa fonte de energia rápida devido ao seu conteúdo de carboidratos.

Luanda, capital de Angola, possui um clima tropical semi-árido, com temperatura média anual entre 24°C e 30°C, estação seca e estação chuvosa, chuva concentrada nos meses de março e abril, com uma estação seca prolongada.

Dado o clima tropical e as temperaturas adequadas de Luanda, é possível cultivar bananas roxas com bons resultados, desde que sejam tomadas precauções como:

- Irrigação durante a estação seca, implementando um sistema de irrigação para garantir que as plantas recebam água suficiente durante o período seco.

- Garantir que o solo seja bem drenado e enriquecido com matéria orgânica para proporcionar os nutrientes necessários às plantas.

Se essas condições forem atendidas, a banana roxa pode ser cultivada com sucesso em Luanda, oferecendo uma alternativa nutricionalmente rica e diversificada para a população local.