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terça-feira, 29 de junho de 2010

AGRO- HOBBIE: UMA NOVA APOSTA DA JUVENTUDE

Luanda e as capitais das províncias não são hoje as mesmas cidades que foram há vinte anos. Estão cada vez mais agitadas e com a qualidade de vida degradante, sobretudo para as pessoas de elevada idade que precisem de silêncio, ar puro e ambientes naturais.

Fruto dessas debilidades das capitais e da paz vivida em todo o país, assiste-se hoje ao movimento regressista ao campo de idosos que depois de aposentados procuram por terrenos e casas no interior do país para uma reforma mais cómoda e sem o corre-corre das grandes urbes. Essa procura por uma vida mais sossegada é também acompanhada de perto por alguns jovens atentos que pretendem evitar erros de seus pais e avôs que se esqueceram de "plantar", enquanto jovens, "a sombra do amanhã", estando agora a investir em infraestruturas e plantio aquilo que seria para o desfrute imediato depois de muitos anos de labor. 

Os jovens criam agora, que estão na vida activa, as condições elementares no campo para que quando chegar a idade da reforma não tenham de correr à procura de casa nem de terrenos para agricultar, e vão, aos poucos, comprando ou reavendo terras ancestrais, plantando pomares e outras culturas de médio e longo prazos, bem como erguendo habitações que lhes permitirão usufruir, quando idosos,  de uma reforma no campo mais despreocupada. Nesse último grupo estou também eu metido, tendo como passatempo o que chamo de agro-hobbie.


Luciano Canhanga
http://www.mesumajikuka.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de maio de 2010

CESTO CHEIO EM MAIO

Conforme prometido em fevereiro a primeira colheita aconteceu mesmo em maio. Foi um cesto razoável, atendendo ser a primeira colheita. três grandes sacos de bombó, alguns cachos de banana de mesa e banana-pão foi quanto a gestora, Maria Canhanga, pôde, orgulhosamente, mostrar. E foi exactamente no dia do meu aniversário, 25 de Maio.

A banana foi para o estómago e o bombó para o comércio, rendendo algo como Usd 600, descontados os encargos com a transportação da Quinta (no LIbolo) para Luanda.

Os abacateiros estão a uma estação da primeira safra. As laranjeiras, limoeiros, tanjarineiras e mangueiras também crescem a bom ritmo.

É motivo de satisfação. Até porque sempre soube que valia apenas "arriscar" na agro-hobbie.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

SERÁ QUE VALE APENA?

Está prestes a chegar o mês de Maio. Maria Canhanga já disse que vai fazer a colheita de toda a mandioca e aquecer-me o bolso. Estou expectante. Será que valeu o investimento que fui fazendo ao longo desse tempo?
A ver vou/vamos...

sábado, 2 de janeiro de 2010

NATAL COM FILHOS E NETOS


O interior, com os seus ares puros, as caminhadas aos três campos agrícolas que controla, a frescura da alimentação e tudo mais, dá-lhe vitalidade. _ "Vende saúde", costumo desabafar quando me perguntam sobre o estado dela.

O natal é, porém, um momento único. Embora não sejamos católicos decidimos estar juntos, embora dos 5 filhos tenham faltado 2 e dos 16 netos faltado 10. Lá (em Luanda) esteve ela, Maria Canhanga, "exalando outros aromas" ao seu jeito urbano e reunindo forças para outras tarefas ligadas à Agricult'Arte.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

QB A BOM PASSO

Beto Spina (João Martins) é um dos meus companheiros de muitas caminhadas e durante muitos anos. Decidimos, desta vez, ver o que faço, à distância, nas terras do Libolo. E fomos ao Projecto QB partindo de Luanda às 9h45 do último sábado de Novembro.

Chegados ao local, a casa de campo estava cercada de capim. A nespereira não resistiu ao sol e secou. Os pés de maracujá e os pés melancia seguiram-lhe exemplo e secaram também. Parecia tudo perdido.

Rumamos à lavra da anciã Maria Canhanga e capturamo-la para a aldeia de Pedra Escrita, onde mora, distando 2 km do arimbo (1). Apresentou ao Beto o seu campo cultivado e deixou recomendações à tarefeira (2).

- Colhe kizaka (3), recolhe o bombó seco, guarda as enxadas, faz isso e aquilo, entre outros ditames. Ordenou ela à senhora de meia-idade.

Colhemos cana-de-açúcar e mandiocas e rumamos à viatura que ficara a metros, na estrada principal. Chegados à aldeia, apresentamos as prendas que levávamos: Uma botija de gás que a isenta, doravante, da procura constante por lenha. O tempo chuvoso é pernicioso para esta tarefa. Apresentamos igualmente o material eléctrico para a instalação do gerador, já consigo há três meses. A Velha "sorria de lado", mas não era ainda tudo. 

Montado o fogão ela iniciou a feitura do almoço e embora o relógio apontasse a hora 16, decidimos visitar o campo principal do Projecto QB que fica a aproximados 1,5 km da EN120 (onde fica a casa de campo/passagem) e a 4 Km da aldeia.

Por atalhos, no meio do mato, caminho em "coluna por um", o verde animava-nos a cada passo que marcávamos até que chegamos ao local. Dois tarefeiros concluíam a empreitada indicada pela anciã e coordenadora Maria Canhanga. Estavam no local há 26 dias e faltavam outros 4 dias de actividade que concluiriam junto à casa de passagem, à beira da estrada. Estava assim explicado que o terreiro estaria novamente apresentável.

No campo principal, o espaço cultivado tinha crescido aproximadamente mais um hectare. Os pés de maracujás cresciam e os de melancias, germinados em tempo seco, tentavam trazer à vida os primeiros frutos. O tempo era impróprio para florir, mas o facto de terem germinado em tempo ainda seco faz com que se antecipem. No meio da mandioqueira cresciam laranjeiras, abacateiros, mangueiras e limoeiros. A acompanhar o crescimento do campo cultivado estão os eucaliptos que a seu tempo servirão de delimitadores temporários do espaço.

- "Tomara que os pés de melancias consigam produzir a sementeira da reposição. A próxima lavoura será em tempo próprio", exclamei. 

Posto isso, começamos por dar uma volta ao campo todo. - "É muito grande", exclamou o Beto, como que a reconhecer o esforço empreendido. 
- Cabão, (o Beto trata-me assim) tens aqui um grande trabalho. -Rematou.

Plantei um pé de videira que consegui no trajecto para Pedra Escrita. Espero que germine e que se reproduza. A uva fará bem ao meu projecto de pomar. Cortamos um cacho de bananas que nos deu imenso trabalho a carregar (estamos desabituados a caminhar com peso) e pegamos na viatura que ficara na EN120, a 2km do interland. Fizemos os outros 2 km até à aldeia de Pedra Escrita, onde nos aguardava o almoço. Era a primeira refeição que a dona Maria confeccionava ao fogão a gás naquela aldeia. Com ela estavam ainda reunidas as parentes admiradas com a forma rápida como pôde fazer a refeição. Tomado o almoço, decidimos ligar os cabos eléctricos.

A noite tinha já batido à porta e o trabalho foi concluído graças à iluminação do Nissan Almera. Colocamos uma tomada, um interruptor duplo, uma caixa de derivação e ligou-se o gerador e acenderam-se uma lâmpada interior da casa e outra exterior. Por electrificar ficou a cozinha afastada do dormitório. É assim no campo. 

O relógio marcava 19horas 40 minutos. Era tarde para quem tinha de percorrer 280 km sem o pneu de socorro substituído na viagem da ida. Luanda aguardava-nos. O Beto teria de trabalhar no dia seguinte e eu aproveitaria o Domingo para descansar.

- Adeus, mãe!
E partimos deixando-a triplamente satisfeita. Para nós o sentimento foi, sem dúvidas, de missão cumprida. O Beto tinha matado saudades do campo. Eu a alegria de ver A QB A BOM PASSO.

Glossário
1- Arimbo: lavra
2- Tarefeira: trabalhadoa eventual
3- Kizaka: folhas tenras de mandioqueira

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

QB: AGRICULTURA & TURISMO


Traduzido para português é: local de/para descanso. Fica a aproximadamente 270 Km de Luanda (capital de Angola), na província do Kuanza-Sul, Município do Libolo, Comuna da Munenga, próximo da aldeia de Pedra Escrita, na EN 120, entre o desvio de Calulo e Lussusso.
Aqui, neste lugar, onde há muito trabalhara meu pai e que de antigos cultivos apenas restam algumas palmeiras (seis ou sete), tento reerguer o que será a minha sombra para a velhice, caso lá chegue.

Começo com o plantio de mandioqueiras (lá já tenho 2 hectares), bananeiras e um pomar em lenta criação.
Junto à estrada, pois as terras distam 1,5km da EN120, está uma pequena casa (apenas um quarto de dormir e um outro para armazém provisório). À medida que a rodovia for melhorando as idas se tornam cada vez mais frequentes e, quem sabe, a B'unhôhina se torne fazenda?
Com um clima de transição e propício para turismo campestre, a QB é cortada por um riacho de água permanente que propicia um repouso agradável, sobretudo, a quem queira fugir da agitação de Luanda. Uma represa está a ser planeada, podendo igualmente praticar-se a piscicultura.
Quem por lá passar já nos pode visitar e oferecemos mandioca e maracujás, que há o suficiente em tempo chuvoso.
Um abraço e aguardamos pela sua visita. Aqui, nesta página, ou na terra descrita.
Para encomendas: scanhanga@hotmail.com tlf. 914810289

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

QB NA FASE DO AUTO-INVESTIMENTO



Na QB caminhamos ainda a passos lentos, mas seguros. A anciã Maria Canhanga que cuida das terras em que plantam as árvores da "sombra do amanhã" acaba de informar que enquanto os parceiros não surgem e com a ausência de verbas vamos entrar, felizmente, para a fase do auto-investimento.


"As primeiras culturas de mandioca já rendem. E como ninguém delas precisa para o sustento doméstico vão servir para alargar o campo". Que assim seja!

Com o início da época chuvosa há outros desafios na QB.