Translate

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O BOSQUE DA MINHA MENTE

Cresci no meio de árvores e mentalizei-me que uma boa casa pressupõe a existência de árvores e o chilreio de passarinhos. Ao rememorar minha infância, quase sinto o cheiro das flores no tempo chuvoso.
O bosque da minha casa
A minha primeira infância foi na fazenda Kitumbulu de meu avó paterno, Fernando Dambi, também conhecido por Ngana Muriangu ou ainda Kapuku. Kitumbulu fica a sul da comuna da Munenga, próximo do rio Longa.
 
Aos 04 anos mudámo-nos para a Fazenda Israel, actual Fazenda Hoji-ya-Henda, onde fica hoje a aldeia de Pedra Escrita. Tive ainda outras experiências nas visitas à fazenda da alemã Sra. "Kasenda" (nome atribuído pelos locais), a fazendas no Mussende (Kalulu) e tantas outras.
 
Ao longo da minha vida conheci um mundo vegetal exótico, fascinante. Quis ter um exemplar de cada planta que vi e que marcou a minha vida.
 
Parte da casa e a extremidade da borracheira
Num espaço de aproximadamente 60m2, que separa o muro do quintal da minha casa e a vala de drenagem de águas pluviais, e no próprio espaço do meu quintal, vou plantando o que posso, o que as características do solo permite.
 
Dentro do quintal tenho uma videira que já está no seu segundo cacho de uvas. Há ainda uma goiabeira, várias roseiras, uma bananeira, uma borracheira que suporta a videira, dois maracujoeiros, uma pitangueira, um cajueiro (este parece que não quer crescer), uma anonácea (árvore que da sape-sape ou anona), uma mangueira, uma tanjarineira  e um limoeiro. A laranjeira secou (que pena). Há ainda um abacateiro, duas jaqueiras e uma gajajeira, uma amoreira, duas mandioqueiras, dois cedros e várias outras espécies decorativas, dentro do quintal.
 
Lá fora, nos 60m2 que podem crescer para 90m2: uma acácia decorativa e uma silvestre, três eucaliptos, uma tamarineira e bambús. Agora que a água é de graça, pois chove abundantemente, vamos ensaiar outras plantas que se adaptem ao solo. Aliás, falta espaço para as nespereiras, as sentinelas e os pinheiros que se desenvolvem lindamente no viveiro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

É TEMPO DE CHUVA: FALEMOS DE AGRICULTURA

Há muito via, ainda na minha infância, as senhoras colocarem numa mesma “mubanga” (estaca) uma mandioqueira e feijoeiros ao lado ou gingubeira, ou ainda milho.
Nunca entendi o porquê da mistura.
 

A lavra do autor, próximo da aldeia de Pedra Escrita, Libolo
O meu parco raciocínio de então levava-me a pensar que fosse, pura e simplesmente, por uma questão de economia de espaço, tendo em conta que as culturas do milho, ginguba (amendoim) e feijão são de curta duração e sempre deixariam a mandioqueira sozinha.
Ledo engano. O feijoeiro, por exemplo, tem gotículas nas suas raízes que permitem armazenar azoto, principal “alimento” dos vegetais que é expelido em forma de oxigénio. É obvio que tal processo acaba também por alimentar a mandioqueira que está ao lado.
E já agora, você sabe o que acontece com os solos das regiões de intensa pluviosidade, escassa vegetação e solo poroso?
- Os elementos que servem de nutrientes para as culturas são arrastadas para debaixo do solo, onde não são atingidas pelas plantas, daí tornarem-se solos fracos à produção agrícola.
Aguardo a sua contribuição sobre técnicas, que conheça, de correcção de solos improdutivos.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O DESAFIO DO BAMBÚ

O que a imagem mostra é o que me proponho ter como resultado do esforço que começou no dia 05.11.2012.
O bambú é uma planta que me cativa desde miúdo, nas caçadas lá pelos lados do Riaha e kazondo (Rimbe, Libolo). Quis sempre ter um perto de casa mas nunca soube como.
 
A minha estada pela Lunda Sul deu-me a oportunidade de aprender como fazer para ter um broto da planta lenhosa.
Não é difícil: Basta cortar um pedaço, de mais ou menos um metro e o enterrar. Se se puder arrancar uma parte com raízes, aumenta ainda mais a possibilidade de sucesso. E foi o que fiz.
 
Havendo uma vala de drenagem de águas pluvias atrás da minha casa, em Luanda, decidi recorrer ao bambú para impedir a progressão da ravina e servir igualmente de cortina contra ventos, poeira e ruídos. O desafio começou agora, com o plantio de um pedaço de 1 metro, que espero germine e se espalhe pelo espaço traçado. E, se der certo, um outro pedaço será levado à quinta, no Libolo, para cumprir o meu sonho de garoto.
O bambú ainda pequeno
 Único problema é a necessidade de muita rega até que atinja a autossuficiência. Estando longe de casa, tenho de ligar todos os dias a perguntar se já regaram o bambú.

Começou o desafio!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CHUVA ANTECIPA-SE NA LUNDA SUL


Oficialmente é a 15 de Agosto que acontece a viragem d´Estação.

Porém, os fenómenos naturais não são lineares. A Lunda Sul já começou a receber chuva. Ontem, 12.08.2012, à noite, a poeira foi abafada por gotas de chuva, a mesma chuva que recomeçou agora, 18h37´de 13.08.2012.

Oxa-lá haja muita produção este ano, não só na Lunda, como em todo o país.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

AI, AS MINHAS BANANEIRAS!

Ai, como me doi saber que minhas bananiras secaram-se todas. Quase todas com excepção de duas que ainda resistem à estiagem.
"Não há água e mesmo que tivesses feito uma barragem, também teri secado", disse-me a anciã Maria Canhanga.
Para me reconfortar disse-me que as mangueiras, os abacateiros, as larangeiras, tangjarineiras e limoeiros resistem à seca e apenas os eucaliptos foram atacados pelo salalé.
"Ficaram também só dois eucaliptos", disse comovida com minha dor.
Embora corajosa, maior terá sido a dor de minha mãe, Maria Canhanga, que vive o secar das árvores dada a falta de água que assola o Libolo.
Mas, confiante como sempre, lá veio o encorajamento.
"Quero dinheiro para mandar fazer a sacha". E, disse mais: "que queres que se faça este ano? Vamos desmatar mais terreno? Por agora os tarefeiros estão difíceis. Receiam que algo de mal aconteça nas eleições e não querem passar o dia de voto fora de casa e da família, mas depois da escolha vão aparecer pessoas vindas do sul (Centro de Angola) para trabalho".
- Respondi que sim. E assim será.
Vamos procurar ampliar o campo em mais um hectar.  

terça-feira, 26 de junho de 2012

É preciso preparar terreno

Dentro de dois meses, o mais tardar, chega a chuva com toda a sua fartura para o campo.

É chegado o tempo de preparar o campo que vai receber novas sementeiras, abrir os açudes, as valas para que a água da chuva não inunde os campos.

É preciso preparar as melhores sementes, os pesticidas, sondar os mercados e os armazéns para os produtos armazenaveis.

Embora deixando conselhos, ainda estou atrasado, por isso, parto já para a empreitada! 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

É tempo de nakas

O frio aperta
É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma
Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Também confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Julho-Agosto
(no meu Libolo)