O frio aperta
É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma
Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Também confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Julho-Agosto
(no meu Libolo)
sexta-feira, 25 de maio de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
ALEGRIA CAMPESTRE: SÓ A CHUVA PROPORCIONA
Depois de uma longa estiagem que afectou diversas regiões de Angola, o quarto mês do ano faz cumprir o velho adágio: "em Abril, chuvas mil".
Em Luanda, por exemplo as notícias que recebo apontam que os meus canteiros com relva e as minhas árvores frutícolas e decorativas não páram de exalar o seu verde e o seu perfume. Estão exuberantes!
No campo, na QB, mesmo sem notícias da anciã Maria Canhanga, tudo aponta para a alegria da camponesa que anunciou lá ficar para a aproveitar o perído de regadio natural.
É assim quando chove. Os camponeses e todos os amigos do verde cantam de alegria. Só uns poucos que fingem construir é que se incomodam com a chegada do maior fiscal de obras públicas.
sábado, 31 de março de 2012
LET´S GARDENING
GARDENING, ou JARDINAGEM em português, é dos mais praticados hobbies. Consiste em plantar, podar, regar plantas (herbáceas, arbustos), adubar, lavar, etc.
É uma actividade que requer gosto, tempo e paciência. Uma vez reunidos estes requisitos o resultado mínimo só pode ser o que a foto mostra.
Sempre que possível, vou dando vida aos meus três canteiros onde, por falta de água canalizada, a relva se vai espalhando ainda de forma preguiçosa. Felizmente, na última semana chouveu duas vezes em Luanda e lá está o resultado. A relva rastejante vai cobrindo a extensão dos canteiros, as roseiras e outras plantas vão ganhando forma e altura. Enfim, é a alegria colectiva...
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A tamarineira que se tornou domestica
Ela nasceu do acaso. Ou melhor, um produtor de gelados de tamarino deitou as sementes na antiga lixeira, junto à vala de de drenagem de águas pluviais. O sol e a chuva fizeram com que a semente desabrochasse num monte de lixo e capim, atrás do meu quintal. Estava ela coberta de filhotes e muitos espinhos.
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| Tão querida como se tivesse sido plantada por mim |
Olhando para o terreno traseiro ao meu quintal, verifiquei que havia algo de útil. Comecei pela limpeza do espaço e poda daquelas árvores que nasceram ocasionalmente. Todos admiraram a sua beleza. Transplantei ainda dois eucaliptos que ladeavam o muro e reparei que o espaço deixado para a manutenção da vala era tão largo que dá agora para fazer daquele sitio um lugar com bastante sombra e optimo para repouso.
Bem vindas a tamarineira e as duas acácias surgidas em condições análogas.
E, para colorir ainda mais o verde, um novo maracujueiro e uma nova mandioqueira foram lançados à tarra, no meu quintal.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
NOVAS FRUTÍCOLAS À TERRA (NA QB)
A chuva, odeiada em Luanda devido às péssimas condições de circulação que cria, é para os agricultores uma "dádiva divina". A combinação entre chuva e sol faz germinar as sementes, brotar as estacas e traz de volta o verde aos campos.
Aproveitando este período "vital", mais árvores frutícolas serão lançadas à terra na QB. A "obreira" Maria Canhanga leva, ainda esta semana, mangueiras, laranjeiras, abacateiros entre outras plantas que estiveram a ganhar "forma" no improvisado viveiro da minha casa, em Luanda.
E, a contar com as últimas notícias recebidas da "Velha", sendo as quais "as primeiras plantas já estão a florir e a exibir as primeiras frutas", é motivo mais do que suficiente para continuarmos com a empreitada.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
FINALMENTE AS BOAS NOVAS DA QB
As Boas Novas trazidas pela matriarca Maria Canhanga, gestora da QB, apontam que:
- As primeiras mangueiras já têm mangas e os cajueiros também.
- Há mais 4 cachos de banana pão, para além dos que trouxe.
- Os maracujás "é capim".
- A mandioqueira só precisa de "sacha".
- As laranjeiras, limoeiros e tanjerineiras estão a crescer muito "de vagar" mas é asim mesmo.
- Construí uma casa de adobes na lavra, usando as chapas da parte desabada da casa de armazenamento, junto a estrada.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
RELVA, CAJAMANGA E ROSEIRA PARA COLORIR O QUINTAL
Cajamanga é uma fruta com características duplas: sabe a gajaja e com feições de manga. A fruta é mais carnuda do que a gajaja e com maior tamanho parecendo uma pequena manga, só que tem uns fios que a fazem ímpar. É daquelas árvores silvestres que acabaram por transitar para as decorativas e de pomar. Depois de ter visto a planta na Lunda Sul e de ter desfrutado dos seus gostosos rebentos, fiz de tudo para fazer germinar algumas sementes. Consegui, finalmente, duas plantinhas, sendo que uma delas já foi lançada à terra (no meu quintal) e outra ainda no vaso a ganhar consistência.
E, como o nivelamento do quintal levou à sobreposição da terra sobre a relva pre-existente estamos a plantar outra que em pouco tempo, creio, vai esverdear a parte frontal do quintal que deixa assim de apresentar aquele vermelho poeirento.
E ia me esquecendo da roseira que deixou o vaso e está agora a alimentar-se directamente. É como um bebé que deixa de mamar. E lá está ela a desafiar a Cesa (minha filha é catadora de flores) que não deixa sequer uma flor ligada à árvore, seja qual for.
Oh, que pena que já faz tempo que não vou a QB. Desconheço o estado da terra que espero venha acolher-me na velhice.
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