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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

LICURI

 É um pequeno coquinho de polpa amarela, rico em cálcio, magnésio e betacaroteno, além da grande concentração de cobre, zinco e selênio na sua amêndoa.

Tive uma plantinha que brotou em um vaso mas que não se adaptou ao transplante para terra firme.

Seu nome científico é Syagrus coronata e pode chegar a ter 12 metros de altura.

A Syagrus coronata, conhecida popularmente como licuri ou ouricuri, é uma palmeira nativa do território semiárido brasileiro, especialmente das regiões Nordeste e Sudeste, como Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Em Angola é enconterada nop noroeste.  Cresce em áreas de clima tropical e subtropical, com chuvas sazonais e solos férteis, mesmo que secos ou pedregosos.

Adapta-se bem a climas secos e quentes, sendo resistente à seca e ao vento.

Pode ser cultivada em sol pleno, inclusive em solos calcários.É uma planta de crescimento lento, mas floresce durante a maior parte do ano. 

A Syagrus coronata é extremamente versátil e utilizada em diversas áreas:

Alimentação:

  • Fruto com polpa fibrosa e levemente adocicada, consumido cru.
  • Óleo das sementes usado na culinária e na produção de margarina.
  • Pith do caule utilizado para fazer pão.
  • Palmito (broto apical) consumido como vegetal — embora sua retirada leve à morte da planta.

Medicina tradicional:

  • Água do fruto usada para tratar inflamações oculares, micoses e feridas.
  • Chá da raiz indicado para dores na coluna.


  • Artesanato e construção: Folhas secas usadas para fazer vassouras, chapéus, espanadores.
  • Madeira utilizada localmente na construção civil.
  • Sementes usadas na confecção de terços e adornos.

Indústria:

  • Produz óleo rico em ácido láurico, com aplicações na indústria oleoquímica, cosmética e farmacêutica .
  • Produz cera vegetal (cera de licuri), usada para fazer tochas.

💚 Benefícios para o Homem

  • Fonte de nutrientes essenciais, como vitamina A, E e compostos fenólicos com propriedades antioxidantes .
  • Contribui para a segurança alimentar e subsistência de comunidades do semiárido.
  • Tem potencial energético, podendo ser usada na geração de biocombustíveis .
  • É considerada a “árvore salvadora da vida” por seu papel na sobrevivência de populações sertanejas .

quinta-feira, 24 de julho de 2025

OLHAR LEIGO AO "LIVRO" DE KAVUNGO MARLON

O Dr. Kavungo Marlon, PhD pela Universidade Patrice Lumumba, Moscovo, e antigo Director de Minas no extinto MGM, trouxe à leitura pública o seu livro (técnico) sob o título "Utilização de Rochas para as Culturas Agrícolas & Agrominerais de Angola"

Sendo eu leigo em matérias ligadas à Geologia, embora convivendo com Geólogos, Engenheiros de Minas e outros profissionais, há mais de vinte anos, atrevo-me a olhar simplesmente para o título e fazer uma incursão interpretativa. 

_ O que é que se percebe depois de se ler o título (a questão não é extensiva ao conteúdo da obra)?

 1. O título "Utilização de Rochas para as Culturas Agrícolas & Agrominerais de Angola" pode, a meu ver, gerar ambiguidade, pois o termo “rochas” em um sentido amplo (lato) pode não ser imediatamente associado ao uso agrícola, e isso pode confundir leitores que não estejam familiarizados com o conceito de agrominerais como insumos agrícolas derivados de rochas. 

2. Sendo os agrominerais rochas, nos parece, modestamente, evitável a redundância (rochas/agrominerais). 

3. A compreensão linear do que se anuncia no título nos parece polissêmico, visto que pode dar a ideia de que "As rochas são usadas para as culturas agrícolas & para os agrominerais de Angola" ou ainda anunciar dois temas distintos: 

(i) Utilização de rochas para as culturas agrícolas; 

(ii) Agrominerais de Angola. 

_ O que é que prevalece ou o que é que o título quer dizer, por outras palavras mais directas?

Nb: surge este questionamento, em virtude de a organização do acto de lançamento da obra, editora NHConteúdos não ter proporcionado à rica plateia um momento de interacção.

terça-feira, 15 de julho de 2025

A PODA EM REGIÕES TROPICAIS

Angola é um país tropical com duas estações: a chuvosa, que se estende de Maio a Agosto, e a seca que se prolonga de Agosto a Maio.

O período seco, em Angola, é conhecido como o que ocorre nos meses sem "r" (Maio, Junho, Julho e Agosto). Para os agricultores e "amadores" de árvores frutícolas é o melhor período para se efectuar a poda correctiva ou preventiva das árvores. Tal se deve ao facto de que a seca proporciona condições mais favoráveis para a cicatrização dos cortes, reduzindo o risco de infecções por fungos e outras doenças que são mais prevalecentes em períodos húmidos.
A prática de poda durante esses meses ajuda a garantir uma melhor saúde das árvores e uma recuperação mais eficiente após a poda. Outras vantagens da pode árvores frutícolas são:
Melhorar a produção de frutos: estimular o Crescimento de ramo frutífero que são mais produtivos e melhor distribuição de frutos ao longo da árvore, prevenindo sobrecarga em ramos específicos.
Qualidade dos frutos/aumento do tamanho dos frutos: com menos frutos na árvore, cada fruto pode receber mais nutrientes, resultando em frutos maiores e de melhor qualidade.
Melhor exposição ao sol: a poda melhora a penetração de luz solar, o que é crucial para o desenvolvimento e a maturação uniforme dos frutos.
Saúde da planta: a remoção de partes doentes, mortas ou danificadas permite prevenir a disseminação de doenças e pragas.
Melhora da circulação de ar: reduz a densidade da copa, aumentando a circulação de ar e reduzindo a humidade, o que diminui o risco de doenças fúngicas.
Manutenção e Estética: permite controlar
a forma e o tamanho manejável e esteticamente agradável.
Prevenção de quebra de galhos: evita a sobrecarga de galhos, prevenindo quebras que podem ser causadas pelo peso excessivo de frutos ou por ventos fortes.
Facilidade de colheita: o acesso melhorado torna a colheita dos frutos mais fácil e segura.
Uniformidade na colheita: facilita a colheita em etapas, garantindo que todos os frutos sejam colhidos no ponto de maturação ideal.
Longa vida útil da árvore: a poda regular pode rejuvenescer árvores mais velhas, prolongando sua vida produtiva.
Prevenção de problemas futuros: a remoção de brotos eventualmente problemáticos que podem tornar-se concorrentes ou causar problemas estruturais.
A prática regular e adequada da poda é fundamental para garantir que as árvores frutícolas permaneçam saudáveis e produtivas ao longo dos anos.
Somos detentores de árvores como: mangueiras, abacateiros, jabuticabeira, longaneiras, romãzeiras, videiras, cajamangueiras, figueira, anonáceas, oliveiras, cacaueiro, cafeeiros, goiabeiras, limoeiros, laranjeiras, tangerineiras, pitangueiras, amoreira, macieira-da-Índia, castanhola, gajajeira, sape-sapeiro, mamoeiros, etc., todas em Luanda.

terça-feira, 17 de junho de 2025

A GAJAJEIRA

A estória do "xixi que me atrasou seis anos" está ligada à da minha ligação afectiva à gajaja.

Quem passa pela Pousada do Nagana Mbubdu (Walter Kruk), também conhecida como Pousada da Mukonga, na EN 120, comuna da Munenga, Lubolu, ainda encontra a gajajeira que oferecia sombra aos vários passageiros das carreiras da Viriatos, EVA, ETP e ETIM, nos anos setenta e oitenta do século passado.

Naquela que seria e minha primeira viagem a Luanda (1978), anulada por causa de um maldito xixi nos calções, tínhamos chegado (minha mãe e eu) até ao Ngana Mbundu para apanhar um machimbombo até Luanda, tive o contacto mais directo com a árvore e suas frutas.

Já tinha, antes, provado o sabor doce e ácido da gajaja, mas nunca tinha desfrutado de forma intensa do seu cheiro característico e de sua sombra. Tenho hoje a gajajaeira como uma de minhas árvores de eleição e que tenho tentado (ainda sem logro) ter em casa.


A gajajeira é uma planta tropical, também conhecida como cajazeira e tem o nome científico de Spondias mombin. Originária da América tropical, é comumente encontrada em áreas tropicais da América Central e do Sul, incluindo a África Tropical. A gajajeira prospera em climas quentes e húmidos, preferindo temperaturas entre 25°C e 35°C e requer uma estação seca bem definida (como o nosso cassimbo) para a frutificação. A gajajeira é adaptável a uma variedade de solos, desde que sejam bem drenados.

A gajajeira pode adaptar-se bem ao clima de Luanda,  desde que receba os cuidados adequados e esteja protegida contra geadas e ventos fortes que podem prejudicar o seu crescimento. Por isso mesmo, plantámos (estaquia) três emplares, no Zango e Vila de Viana, que esperamos venham a germinar.

A fruta, gajaja, tem diversas utilidades, sendo consumidos frescos, usados na produção de sucos, geleias e sorvetes, e também são frequentemente utilizados na produção de doces e licores. Além disso, as suas folhas são utilizadas na medicina popular para o tratamento de diversas condições, como diarreia e inflamações.9

Os benefícios para o homem incluem o fornecimento de uma fonte de alimento nutritivo, rico em vitaminas A e C, além de minerais como cálcio, fósforo e ferro. A gajaja também é importante para a economia local, proporcionando renda para agricultores e contribuindo para a diversificação da produção agrícola. Além disso, o cultivo da gajajeira pode ajudar na preservação ambiental, já que a árvore pode ser utilizada para restauração de áreas degradadas e contribuir para a manutenção da biodiversidade.

sábado, 31 de maio de 2025

O MANJERICÃO

O nome sempre me soou bem. As mulheres que gostam de cozinhar e os chefes nos hoteis têm-no sempre à mão. Porém, custou tê-lo em casa, até que, passando por uma local turístico na Konda, Kwanza-Sul, pode obter um pequeno ramo que cuidei durante três dias de viagem para que chegasse vivo. Sob cuidados especiais, a erva adaptou-se ao clima e solo do Zango IV, estando a expandir-se com ramos já "emprestados" entre Viana e Prenda.


O manjericão é uma erva aromática bastante versátil e adaptável. Prefere temperaturas quentes e solos bem drenados. Dado que Luanda possui um clima tropical húmido, o manjericão pode prosperar bem, desde que receba bastante luz solar e seja regado regularmente, evitando encharcamento do solo.

O manjericão é amplamente utilizado na culinária para adicionar sabor e aroma aos pratos, especialmente em molhos, saladas, massas e pratos à base de tomate. Além disso, o manjericão também tem propriedades medicinais, sendo utilizado na medicina tradicional para tratar problemas digestivos, inflamações e até mesmo como repelente de insetos.

Entre os benefícios do manjericão, destacam-se suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antibacterianas, que podem ajudar a promover a saúde geral do corpo e fortalecer o sistema imunológico. Além disso, seu aroma pode ajudar a reduzir o estresse e promover uma sensação de calma e relaxamento.

Quer tentar? Basta um vaso com terra humificada, bem drenado e exposto à luz.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

A MUNGUBA OU CASTANHEIRA


Às vezes a encontramos em casas e fazendas (mais) como árvore decorativa, usada para matar a saudade ou marcar o engodo por plantas raras. De minhas largas caminhadas por cidades, vilas e fazendas não a encontrei (ainda) plantada em grande escala e com aproveitamento económico, embora seja uma planta facilmente adaptável aos climas angolanos e que, se plantada em quantidade, pode proporcionar boas colheitas com destino o mercado. Acompanhe a descrição:

Também conhecida como castanha-do-marajó, a munguba (pachira aquatica, de nome científico) é uma árvore nativa da Amazônia, pertencente à família das Bombacáceas. A semente da munguba é comestível e possui um sabor semelhante ao da castanha, daí o seu nome alternativo "castanha-do-pará". Ela é utilizada na culinária regional e também na produção de óleos e cosméticos. Além disso, a madeira da árvore é utilizada na fabricação de móveis e embarcações.

A munguba oferece diversos benefícios para os seres humanos, tais como:

1. As sementes da munguba são ricas em proteínas, fibras e gorduras saudáveis, fornecendo nutrientes essenciais para o corpo humano.

2. Devido ao seu teor de gorduras saudáveis, as sementes de munguba podem fornecer energia sustentada ao longo do dia.

3. As gorduras presentes nas sementes da munguba, como os ácidos graxos insaturados, podem ajudar a promover a saúde cardiovascular, reduzindo o risco de doenças cardíacas.

4. A munguba contém compostos antioxidantes que ajudam a combater os danos causados pelos radicais livres no corpo, contribuindo para a saúde celular e o envelhecimento saudável.

5. O óleo extraído das sementes da munguba é rico em ácidos graxos essenciais e vitaminas que ajudam a manter a saúde da pele e do cabelo, podendo ser usado em produtos cosméticos.

6. As sementes da munguba são uma boa fonte de fibras, que são importantes para a saúde digestiva, ajudando na regulação do trânsito intestinal e na prevenção de problemas como a constipação.

7. Em algumas culturas, a munguba é usada na medicina tradicional para tratar uma variedade de condições, como problemas digestivos, inflamações e infecções.

Embora a munguba ofereça diversos benefícios à saúde, deve ser consumida com moderação e como parte de uma dieta equilibrada.

A planta prospera em climas tropicais húmidos, preferencialmente onde haja temperaturas elevadas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, como as florestas tropicais. Os solos, embora húmidos devem estar drenados.

A árvore de munguba começa a produzir sementes comestíveis entre 4 a 8 anos de idade, dependendo do tipo de clima, solo e tratamento. Possuindo Luanda um clima tropical húmido, com temperaturas elevadas ao longo do ano e uma estação chuvosa bem definida, a planta desenvolve-se com facilidade e pode entrar em produção precocemente.

Possuo uma castanheira (mungubeira) no Zango IV que entrou em produção em menos de 3 anos de plantio. Se quiser seguir-me o exemplo, atenda ao seguinte:

Certifique-se de que o solo esteja bem drenado e rico em matéria orgânica. A munguba prefere solos férteis e profundos.

A mungubeira tolera períodos curtos de seca. Porém, é importante irrigá-la adequadamente durante os períodos de estiagem prolongada, sobretudo nos primeiros anos de crescimento.

A planta jovem é sensível a ventos fortes. Plante as mudas em áreas protegidas ou use quebra-ventos para reduzir os danos causados pelo vento.

Faça o controle de pragas para detectar sinais de infestação e, se tal acontecer, use inseticidas ou fungicidas.

Fertilize a planta regularmente com adubos orgânicos ou químicos balanceados para promover um crescimento saudável e uma boa produção de frutos.

Realize podas regulares para remover galhos secos ou danificados, promovendo o crescimento vigoroso da planta.

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Publicado no JE&F de 29.03.24

sábado, 3 de maio de 2025

MANGUSTÃO

É uma fruta tropical conhecida e admirada pelo seu sabor doce e levemente ácido. É originária do Sudeste Asiático e popular em muitas regiões tropicais do mundo, embora não muto conhecida em Angola.

O mangustão tem uma casca roxa espessa e dura. A sua polpa é branca, suculenta e dividida em segmentos. A fruta é, muitas vezes, chamada de "rainha das frutas" devido ao seu sabor delicado e propriedades nutritivas. Além disso, o mangustão é rico em antioxidantes, vitaminas e minerais.
Procedente da China, a caminho de Luanda, a minha colega Lídia Lopes provocou-me, num dos hotéis de Dubai em que tomávamos o pequeno-almoço a provar o mangustão.
Em princípio, a minha resposta tendia para o "não", tendo sido convencido pela réplica dela quando a perguntei se "a fruta tinha sementes". Provei a fruta e levei algumas sementes no bolso, andando perdidas meses na mala. Descobertas, levei-as a um vaso e tenho uma muda de mangustão que, se chegar à vida adulta, terá (no meu pequeno pomar caseiro) o nome dela. Lídia!
Para o bom desenvolvimento e produtividade do mangustão, são essenciais os seguintes fatores ambientais:

Clima: tropical quente e húmido. Requer temperaturas entre 25°C e 35°C e não tolera geadas ou temperaturas abaixo de 4°C.

Precipitação: a planta necessita de alta umidade e uma precipitação anual entre 1.500 mm e 2.500 mm, distribuída ao longo do ano. Humidade constante é crucial, especialmente durante os primeiros anos de crescimento.

Solo: os ideais são os profundos, ricos em matéria orgânica e bem drenados. O pH do solo deve estar entre 5,5 e 6,8. Solos muito argilosos ou arenosos devem ser evitados.

Sombreamento: o mangustão precisa de sombreamento parcial nos primeiros anos de vida. Árvores mais maduras podem tolerar pleno sol, mas sombra moderada pode ser benéfica.

Espaçamento e poda: as árvores precisam de espaço suficiente para crescer, com espaçamento de aproximadamente 8 a10 metros entre elas. A poda regular ajuda a manter a forma da árvore e a promover a circulação de ar.

Drenagem: a drenagem adequada é essencial para evitar a podridão das raízes, uma vez que o mangustão é sensível ao encharcamento.

Manutenção: rega regular, controle de pragas e doenças, além da adubação adequada, são práticas cruciais para garantir a saúde e a produtividade da planta.

Com esses cuidados, o mangustão pode desenvolver-se bem em Angola, produzindo frutos de alta qualidade.
Eu estou a tentar e você também pode!