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segunda-feira, 12 de julho de 2021

TEMPO DE COLHER

Um hectare com espaçamento de 4 metros daria para plantar duas mil, cento e dezasseis romãzeiras. Se cada árvore produzisse uma média de 24 romãs/ano, teríamos101568 frutas calculadas ao peso médio de 250g, equivalendo a 25,4 toneladas. Dá para investir!                            

 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

OS "AMIGOS" DO CARDOSO

Conheci a hanga¹ na minha infância, durantes as caçadas no Ryaha. Aos meus olhos de criança, elas eram lindas, muito velozes, esquivas e saborosas quando apanhadas num laço.

Eram poucos os que tinham perícia em apanhá-las. Guardei na memória o desejo de ter uma delas um dia quando crescesse.
Comprei as primeiras cinco galinhas-do-mato na Huila, em Dezembro de 2020. Três morreram em momentos distintos e uma sobreviveu.
Às galinhas de Angola, como são designadas pelos brasileiros, vou juntando as de kimbundu², também registando mortes e paciência em repor as perdas e aumentar a quantidade. Tinha tb uma avecuca³ que não chegou a dar em cabidela por se ter antecipado a morrer.
De volta à Huila, em Abril último, comprei outras três hanga (fêmeas) que juntei ao macho sobrevivo (aquele escondido atrás do pilar).
Vindo de Benguela, Moh Canhanga ofereceu-me uma galinha de umbundu⁴ que fui juntar ao galináceo.
A minha maior surpresa foi ver o Cardoso, um dos jovens que constroem a www.kamemesa.com, alimentar as aves colocando a ração na palama da sua mão. Parecia que os animais conversavam com ele, envolvendo-se em grande amizade.
Diz o Cardoso que os animais seguem-no sempre que o veem passar.
¹- Galinha-do-mato.
²- Galinha doméstica (gentia) da região ambundu.
³ Galinha criada em aviário de produção intensiva.
⁴ Galinha gentia da região ovimbundu.

terça-feira, 4 de maio de 2021

HUILANOS QUE DÃO VIDA À KAM&MESA

A primeira remessa era de cinco. Uma fugiu e três pereceram. Chegaram mais três, todas huilanas. Nesses dias em que é o cimento quem mais se faz aos olhos, elas têm sido um encanto.
Galinha do mato ou galinha de Angola

 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

ACABA JINGUBA

Já não me lembro de onde consegui as mandioqueiras que "pulavam" de quintal em quintal no Zango 4. Primeiro em casa da minha mãe, depois na "obra" e, por fim, no "Parque de estacionamento" da Kam&mesa.

Por muitas vezes nos deu kizaka. Porém, mandioca doce, nada!
A velha Maria diz que a tal mandioca pode ser pesada e de bom tamanho mas "fuba que é fuba nada!".
Apelei no grupo dos "da lavra":
- Manos, faxavor! Alguém me arranja lá mandioqueira que dá mandioca recarga?
Recarga é aquilo que umas manas vendem nos saquitos, na estrada, e que dizem ser "tiro certo" para os amantes do txuku-txuku.
Meu mano Tchoya disse:
- Mano, ainda espera. Vou arranjar.
No dia em que fui me codornizar em casa dele deu-me dois pauzitos.
- Mano, a irmã do Nambuangongo, a quem pedi por sementeira de mandioqueira, disse "essa aqui é acaba jinguba". Acrescentou que "kutowala sukidi ndenge" (sua doçura é maior do que açúcar). Explicou também que "deve recortar em pedaços de +- 20 cm e plantar horizontalmente".
- Está bem mano. Respondi na hora em que já tínhamos bebido duas pomadas, primeiro o chará dele e depois o meu chará, que acompanharam os passarinhos e a fubada.
Bem, cumpri hoje. A "acaba jinguba" está enterrada no solo e espero que germine. Quanto à que só dava kizaka, ficou desactivada.

segunda-feira, 1 de março de 2021

NO MEU QUINTAL

Uma flor nova

Uma nova fruta

Um sabor novo

Um novo sorriso

Um dia novo!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MEU ETERNO CAFÉ

Uma de nossas brincadeiras era ir ao terreiro e, com uma "espátula", virar o café, de modo que os grãos em baixo viessem ao contacto com o sol.

Em 1974, a minha mãe vivia com o marido (António Fernando Dambi) em Kitumbulu*, fazenda do sogro, Ngana Muryangu.

Por pouco, eu teria nascido na fazenda. Porém, a morte de meu avô materno Ngana Ngunji (Kanyanga, soberano do Kuteka**) fez com que o meu nascimento acontecesse na aldeia de Mbangu-de-Kuteka.

Até 1978 (ano da agricultura), à minha volta, em Kitumbulu, eram cafezais, mandioqueiras, bananeiras e peixe que meu pai povoara o riacho (que desagua em Kananvale).

Pero de casa ficava o terreiro, espaço onde se secava e ensacava o café até chegar o tractor que o levava para um destina (na altura desconhecido por mim).


Antes de chegar a idade escolar, fomos morar em outra fazenda, onde meu pai procurava autonomizar-se e dar luz aos filhos. Na Fazenda Israel, depois rebaptizada por Fazenda Hoji-ya-Henda, encontramos bananeiras, citrinos e ananaseiros. O café estava não muito distante, tendo-o reencontrado no Limbe (cerca de 5 Km) aonde nos mudámos e fixamos dois anos depois.

O café que tomo até hoje fez sempre parte do meu imaginário. Sempre quis ter um cafeeiro, mesmo que não lhe colha os grãos. É parte da minha existência. "Nasci" numa fazenda de café.

O meu amigo Mario Botelho De Vasconcelos ofereceu-me hoje, 04.09.2020, essas plantas, vindas de Kabuta***. Vou cuidá-las com todo o esmero, pois, um dia contarão a história da nossa existência.

Obrigado, Mário.


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* Regedoria de Kuteka, comuna de Munenga, Libolo.
** As actuais regedorias eram "Estados autônomos", semelhantes às Cidades-Estados do período helênico.

*** Comuna do município do Libolo, rica em café.